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Bate-papo com Raul de Souza

13.07.2010


 

 

Rio das Ostras. Raul de Souza foi um dos representantes do casting brasileiro no último Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. Com uma performance apaixonada e impecável, o trombonista e seu quarteto conseguiram impressionar todos os presentes. Uma análise em seu histórico revela que sua carreira foi construída em grande parte no exterior, tendo morado e excursionado durante muitos anos nos Estados Unidos e Europa. Porém, Raul nunca abriu mão de suas raízes e não se esquece onde tudo começou.

- Nasci no Rio de Janeiro e meu envolvimento com a música veio da Igreja. Meu pai era pastor da Assembléia de Deus e tinha banda por lá. Lá, comecei a me desenvolver em instrumentos graves, como tuba e trombone.

Após alguns anos de pesquisa e estudo, realizou seus primeiros registros, e veio a ser uma das figuras participantes do então recém-nascido movimento da Bossa Nova:

- Em 1957 fiz uma gravação com Altamiro Carrilho, que fez o nome da Turma da Gafieira. Essa foi a primeira oportunidade para um músico que gostava de tocar (e bem) e de improvisar. Em 1964 participei do Sergio Mendes Bossa Rio, que foi o início da Bossa Nova. Depois decidi gravar meu primeiro disco solo, Raulzinho: a Vontade Mesmo, com César Camargo Mariano, Airto Moreira e Humberto Clayber.

Entretanto, o músico carioca revela que a denominação de Bossa Nova nunca foi de seu agrado:

- Tom Jobim não gostava do nome Bossa Nova, mas como foi registrada, ficou. Também não é do meu gosto, mas acharam que era bonitinho, então o nome pegou.

O seu próprio nome, aliás, que originalmente não é Raul, também pareceu sofrer uma mesma situação:

- Foi o Ary Barroso que mudou meu nome no programa de calouros. Ele falou: “Você não tem cara de João José, e para trombonista não soa bem”. Então ele o mudou para Raulito, e mais tarde eu o mudei para Raulzinho. João José não caía bem para mim. É um nome bonito, religioso até, mas pra mim não deu certo.

Raulzinho deu certo mesmo. Com 75 anos, sendo 55 de carreira, continua na ativa. No decorrer dessa estrada, no entanto, o cenário musical sofreu enormes mudanças, o que faz com que, inclusive, saudosistas afirmem que “não se faz mais música como antigamente”.

- Acontece que a música mundial, que veio do jazz, teve um bom inicio em 1930 até 1950. Apareceram vários músicos americanos com ideias diferentes de improvisação, de criação melódica e melodias diferentes. E isso chegou no Brasil. Começou uma nova situação musical, mais moderna. Não todos, mas alguns músicos, principalmente os jovens da época, aderiram essa concepção e aplicaram as harmonias. Logicamente você vai progredir e nessa progressão vieram escalas diferentes, de onde vinham as melodias diferentes, tanto do samba como da Bossa Nova. Consequentemente, melhorou o nível de cultura musical e melódica. E agora os EUA estão nessa situação horrível. Todos os músicos que inventaram o jazz morreram. Ron Carter, por exemplo, é o único vivo. O que salva a música é o fato de lá, nos EUA, existiram muitos que participaram do desenvolvimento de um sistema novo, tanto harmonicamente como melodicamente e tecnicamente também. É por isso que existem escolas de música por lá, várias delas. Inclusive no Brasil, de uns anos para cá, com várias escolas de São Paulo e Rio de Janeiro. E a quantidade de jovens, bons músicos, é admirável. Isso me traz certa esperança. Como esse pessoal que está comigo na banda agora tem seus 35/40 anos minha música ganha ares mais novos. Para mim é tudo jovem.

E assim, Raul não parece dar sinais de que pretenda parar de fazer boa música, como bem sugere o título de seu último disco lançado, Bossa Eterna.

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