© 2017 Coluna Blues Rock

Brasil

  • Instagram ícone social
  • Twitter Social Icon
  • Facebook Social Icon
  • YouTube Social  Icon

Bate-papo com Ricardo Seelig

22.12.2017

 

   Ricardo Seelig é um crítico musical com uma base cultural fantástica e é nome respeitado no meio. Um consumidor voraz de todos os estilos musicais, livros, filmes e HQ's. Já colaborou com o Whiplash, era colaborador fixo da saudosa Poeira Zine e desde 2008 é o editor do excelente Collectors Room. "Esse blog foi criado em 2008, evoluiu e foi ganhando ao longo dos anos uma cara mais profissional. Eu sempre quis escrever sobre música, e a Collectors Room se transformou no veículo para que eu pudesse realizar esse sonho".

   Um cara que sempre gostou de metal mas faz questão de não ser marcado como aquele típico metaleiro xiita que se bloqueia ao diferente e permanece preso em uma caixa. "Eu sempre ouvi vários estilos de música. Meu ponto de partida foi o metal, mas eu sempre curti diversos gêneros. E um dos objetivos sempre foi levar essa diversidade de sons para a Collectors Room. (...) o público que conheceu o site e percebeu que é possível gostar de Iron Maiden e Sandália de Prata, achar legal Metallica e Miles Davis, curtir Mastodon e Criolo com a mesma intensidade, segue comigo nessa aventura pelo mundo maravilhoso da música".  

   Uma conversa interessante e inteligente, uma aula de crítica musical (mais completa e sincera do que muito curso de jornalismo). Ricardo Seelig nos revela todo o seu conhecimento e os nomes que mais o influenciaram nessa atividade. E tudo isso com muita humildade! 

 

Ugo Medeiros - Nós nos conhecemos na época do Orkut, entre 2003/2004, através da comunidade da revista Poeira Zine. Já são mais de dez anos! E foi justamente naquela época que ambos começamos essa atividade de crítica musical. Dividirei essa pergunta em duas. Primeiramente, você poderia falar um pouco sobre o início da sua trajetória na crítica musical? Quando ocorreu aquele "clique" pra começar a escrever (ainda que de forma amadora)?

 

Ricardo Seelig - Eu sempre ouvi muita música e também sempre li muito. Devorava livros, HQs e revistas de música na minha adolescência, e continuo fazendo isso até hoje. Além disso, sempre gostei de escrever, tanto que acabei me tornando redator publicitário. Acho que os primeiros cliques para tentar unir a paixão pela música e pela escrita começaram a surgir através da leitura da revista Bizz. Eu adorava as críticas de discos da revista, ia direto para aquela seção sempre que comprava uma nova edição. Textos de gente como Ana Maria Bahiana, Celso Pucci, José Emílio Rondeau, José Augusto Lemos e outros eram os meus preferidos e foram fundamentais na minha formação como ouvinte. Essa ideia foi amadurecendo e em 2005 comecei a escrever para o Whiplash, que na época tinha uma equipe fixa que contava com nomes excelentes como Thiago Sarkis, Maurício Deho e mais uma galera. Gostei da experiência e desde então a coisa só evoluiu.

 

UM - Agora, a outra pergunta sobre a Poeira Zine. Ela foi uma das melhores revistas de classic rock do mundo, tranquilamente. E você contribuiu constantemente na revista! Você poderia falar um pouco sobre a revista? O Bento Araújo (editor) foi uma das suas influências? 

 

RS - Certamente o Bento foi uma influência não apenas para mim, mas para todo mundo que escreve sobre rock e vai além da casca aqui no Brasil. O Bento é um cara simples e com um talento enorme, que desenvolveu uma metodologia de trabalho e pesquisa únicas. A poeira Zine sempre teve um aspecto meio enciclopédico trazendo pautas fora do comum, e essa característica apresentou todo um novo universo musical para os leitores. Colaborei com o Bento durante anos, e além de aprender muito com ele tive o prazer de escrever em uma das minhas revistas de música preferidas. Atualmente a pZ já não existe mais como revista, porém mantém um site e um podcast atualizados frequentemente. Além disso, o Bento lançou no final de 2016 o seu primeiro livro, o ótimo Lindo Sonho Delirante, que fez um mapeamento fundamental sobre a psicodelia brasileira e seguiu mostrando o quanto o seu trabalho é fundamental.

 

UM - Além do Bento, quem mais te influenciou ou te ensinou na crítica? Ou foi mais autodidata (tentativa e erro, digamos, no peito e na raça)?

 

RS - As minhas primeiras influências vieram do pessoal da Bizz e também do povo que escrevia para a extinta revista Somtrês, principalmente o Leopoldo Rey, que era o cara que ficava com o rock mais pesado. À medida que fui me envolvendo mais e mais com a crítica musical, além do Bento tive duas outras grandes influências. A primeira foi o Régis Tadeu. Me identifiquei com o seu conhecimento musical enciclopédico e confesso que até mesmo com a sua personalidade, digamos assim, problemática. Os textos dele há alguns anos atrás eram incríveis, mas com o tempo ele acabou se perdendo no personagem que criou e se transformou apenas em um cara arrogante, pedante e mal educado, que não consegue trocar ideias com pessoas que não possuam as mesmas opiniões que as suas e usa xingamentos infantis como ferramenta para se relacionar com o seu público. Acho tudo isso uma pena, pois foi um cara que me influenciou bastante, que possui um inegável conhecimento sobre diversos gêneros musicais mas que se deixou levar pelo ego e pela persona online irritante que criou. A segunda influência é o Sergio Martins, que para mim é o crítico musical mais completo do Brasil. Ele consegue escrever sobre os mais variados estilos e abordagens musicais sempre com maestria, e está muito acima dos demais. É uma espécie de Led Zeppelin da crítica: faz tudo muito melhor que os outros. O Sergio é super acessível, possui um texto leve e ao mesmo tempo profundo em relação às informações e raciocínios que propõe ao leitor. Seu trabalho tanto na finada Showbizz quanto atualmente na Veja são fundamentais para quem escreve ou quer aprender a escrever sobre música.

 

UM - A Collectors Room começou como uma coluna no Whiplash, entrevistas com colecionadores, certo? E hoje é referência absoluta no Brasil. Como foi essa transição? Poderia falar sobre o site em si? O volume de textos (de qualidade) é impressionante…!

 

RS - Obrigado pelo “referência absoluta” no Brasil, não escuto esse elogio com muita frequência (risos). Após eu começar a escrever para o Whiplash lá em 2005, tive a ideia de fazer uma coluna mostrando as coleções de caras como eu. Sempre fui um colecionador de discos e adorava ler uma coluna da Bizz chamada Minha Coleção, então me inspirei nela e comecei a produzir para o Whiplash entrevistas com colecionadores de diversas regiões do Brasil. A identificação do público foi imediata e rapidamente a coluna se tornou uma das mais lidas do site. Isso levou à criação de uma comunidade no Orkut, onde surgiu a ideia da criação de um blog sobre o assunto. Esse blog foi criado em 2008, evoluiu e foi ganhando ao longo dos anos uma cara mais profissional. Eu sempre quis escrever sobre música, e a Collectors Room se transformou no veículo para que eu pudesse realizar esse sonho. O ponto de partida com as entrevistas com colecionadores foi se diversificando e abrangendo diversos outros assuntos, apresentando aos leitores textos que vão desde críticas de discos até matérias especiais, passando por ranking, notícias, playlists e tudo mais. O site já teve períodos em que foi produzido exclusivamente por mim e outros em que teve uma equipe mais ou menos fixa de colaboradores. Hoje eu faço toda a produção de conteúdo, assino todos os textos e tudo mais. São quase 10 mil posts desde 2008, e como sou o autor de pelo menos uns 90% destes textos a Collectors Room acabou se transformando em uma espécie de documento da minha relação com a música. O site é uma parte importante da minha vida e uma atividade que me dá grande prazer em seguir produzindo.

 

UM - Ainda sobre a Collectors Room, acredito que no início o foco era o metal. Me lembro de alguns desabafos seus em que você ficava danado com quem associava o site exclusivamente ao metal. Isso ainda acontece? Aliás, faço questão de dar um depoimento: você sempre deu espaço a todos os estilos, haja vista que publicou diversas entrevistas minhas de blues.

 

RS - Eu sempre ouvi vários estilos de música. Meu ponto de partida foi o metal, mas eu sempre curti diversos gêneros. E um dos objetivos sempre foi levar essa diversidade de sons para a Collectors Room. Inevitavelmente, devido principalmente à minha relação de anos com o Whiplash, o público de metal sempre esteve entre os maiores da CR. Mas esse fato nunca limitou o site a ser apenas sobre isso, entende? Quando criei a Collectors Room em 2008, por exemplo, estava em uma época de descoberta do jazz e escrevi diversos textos sobre o estilo. Pelo conservadorismo do público de metal brasileiro, muita gente que conheceu a Collectors Room pelos sons pesados acabou parando de acompanhar pela característica do site de trazer matérias sobre outros estilos. Se o leitor possui a cabeça fechada a outros sons, pra mim ele não gosta de música e pode seguir o seu caminho para outros veículos tranquilamente. Mas o público que conheceu o site e percebeu que é possível gostar de Iron Maiden e Sandália de Prata, achar legal Metallica e Miles Davis, curtir Mastodon e Criolo com a mesma intensidade, segue comigo nessa aventura pelo mundo maravilhoso da música. Ainda tem um povo que vem de vez em quando dizer que não é possível que um cara como eu, que elogiei um álbum da Lady Gaga (uma heresia, sem dúvida…), tenha capacidade de escrever sobre o disco mais recente do Black Sabbath. Acho essa postura totalmente atrasada e discutível. O meu objetivo ao escrever sobre música é sempre aprender mais sobre ela como um todo, para assim conseguir me tornar um crítico mais completo possível e que é capaz de escrever sobre os mais variados gêneros e não apenas sobre o metal. É um aprendizado constante, mas posso afirmar que também é uma experiência incrivelmente recompensadora.

 

UM - Sempre que eu entrevisto um crítico musical faço essa pergunta: até aonde vai o gosto do crítico? Digo, é difícil equilibrar emoção/razão? Por exemplo, Beatles é incontestavelmente algo gigantesco, mas eu, pessoalmente, não suporto. Qual o limite entre um gosto e a análise, digamos, técnica, propriamente musical?

 

RS - Cada um tem o seu gosto. Mas se você quer escrever de maneira séria sobre música, o seu gosto pessoal não deve ser o seu único parâmetro. Você pode não gostar dos Beatles, por exemplo, mas ao estudar a música e a evolução do mercado musical perceberá de maneira clara o quão importante e essencial foi o papel do quarteto de Liverpool. Se você se guiar apenas pelo seu gosto pessoal, o máximo que conseguirá será ser um blogueiro que escreve sobre música. As minhas críticas não trazem muitas análises técnicas, por exemplo. Sempre procuro expressar o que a música me faz sentir. Sempre gostei de entender porque, por exemplo, alguns discos e artistas eram elogiados pelos críticos e eu não entendia o motivo. Lia os textos das revistas e ouvia os discos tentando identificar os aspectos apontados nos reviews, tentando encontrar os detalhes mencionados pelos jornalistas. Algumas vezes conseguia, outras não. Mas esse ponto acho que é fundamental para evoluir como ouvinte: tirar qualquer preconceito da cabeça e fazer um exercício para entender a música e o seu sentido além de uma simples canção, contextualizando a composição e a analisando à luz do seu próprio tempo e realidade.

 

UM - Nessa linha do gosto, qual banda(s)/artista(s) que você gosta e seus amigos ou leitores do Collectors Room ficam chocados/surpresos?

 

RS - Talvez, como você tenha citado antes, ainda exista um povo que me identifique apenas com o rock e o metal, principalmente. Mas na prática a coisa é bem diferente. Adoro jazz, acho a cena rap brasileira de nomes como Criolo e Emicida absolutamente fantástica, gosto muito de artistas como Chico Buarque e Gilberto Gil, considero Jorge Ben o maior músico da história deste país. E faço isso sempre ouvindo os meus sons pesados de vez em quando. A cena de southern rock é outra que curto muito, principalmente Lynyrd Skynyrd e Blackberry Smoke. Gosto de country, adoro metal com pegada étnica na linha do Orphaned Land. Enfim, se a música me diz alguma coisa o gênero em que ela se enquadra pouco importa.

 

UM - A última pergunta me remete demais ao Brasil hoje. Discursos (de TODOS os lados) inflamados e baixíssima capacidade de tolerância ao diferente. Você se lembra o quanto fui xingado por escrever uma crítica mais severa ao Woodstock. As pessoas hoje EXIGEM que todos tenham os mesmos gostos! Isso é um absurdo! Você sente isso no mundo da música, passou por algo semelhante?

 

RS - Tem uma parcela do público que ao ler uma crítica de disco, filme, livro ou seja lá o que for, espera encontrar apenas uma opinião que bata com a sua. Se ao invés disso der de cara com uma opinião discordante, não importa se ela estiver fundamentada e argumentada, a reação imediata é o xingamento virtual. Isso é triste, mas vivemos em um país em que o analfabetismo funcional não para de crescer e a capacidade para interpretar um texto tem regredido exponencialmente. É claro que já passei por diversos momentos em que fui avacalhado por criticar uma banda ou um álbum, mas isso faz parte da atividade de crítico musical. As pessoas precisam entender que uma crítica nunca é imparcial, já que ela vem com a opinião do autor sobre tal trabalho, devidamente construída tendo como base o seu conhecimento e a sua experiência como consumidor e pesquisador daquela área específica. Crítica não é release de gravadora, onde só se encontram elogios. Existem vários caras que escrevem bem pra caramba e que eu gosto de acompanhar os textos e conhecer as opiniões, mesmo que muitas vezes não concorde com elas. E o fato de pensar diferente nunca deve ser motivo para intolerância, não é mesmo?

 

UM - Você tá na estrada há um bom tempo com um trabalho de excelência (e, não, não é rasgação de seda!). Qual o momento(s) que mais te deu orgulho de estar nessa atividade?

 

RS - Os momentos mais recompensadores sempre vêm de demonstrações de carinho e reconhecimento espontâneas dos leitores, seja através de postagens em redes sociais, e-mails ou encontros pessoais. Além disso, gosto muito de trocar ideias sobre música e expor meus pontos de vista como estamos fazendo aqui, nessa entrevista.

 

UM - Qual banda/artista que você conheceu através do Collectors e te surpreendeu mais? Poderia falar um pouco sobre?

 

RS - Acho que o Baroness, que é uma banda de metal norte-americana formada em 2003 e que já lançou quatro discos. Teve uma época, alguns anos atrás, que uma série de posts começaram a aparecer em sites falando que o metal atual era muito ruim, não havia nada que prestasse e coisas do tipo. Achei aquilo um disparate e decidi então começar uma nova série no site chamada As Novas Caras do Metal, com o objetivo de mostrar o quanto de bandas novas legais pra caramba existiam e o público brasileiro deixava passar em branco. Porque aqui no Brasil, pra quem não está acostumado com a cena pesada, as revistas e os sites praticamente só cobrem os grandes nomes do gênero como Black Sabbath, Iron Maiden, Metallica, Judas Priest, Slayer e afins, passando reto por qualquer banda recente - e recente dá pra entender uma carreira com no mínimo vinte anos. Historicamente, em um processo que começou lá atrás com a revista Rock Brigade e foi intensificado com a Roadie Crew, a imprensa brasileira que se diz especializada em metal não dá a atenção merecida para bandas com sonoridades mais experimentais e inovadoras, preferindo sempre dar mais destaque para grupos que trazem influências da tríade hard rock, power metal (aqui conhecido como metal melódico) e trash metal. E tudo isso é direcionado para a cena europeia, deixando também de lado a cena norte-americana. A imprensa e os fãs brasileiros de metal são mais simpáticos às sonoridades mais tradicionais. Isso faz com que ocorram bizarrices como o Slipknot, que é gigante em todo o planeta, ainda ser visto de cara torta por uma parcela do público brasileiro. O Mastodon, por exemplo, que é outra banda norte-americana inovadora e influente pra caramba, só agora está começando a ganhar o devido espaço entre o público brasileiro. E o Baroness vai nessa linha, com uma sonoridade que traz influências de rock progressivo e alternativo, sempre com muita melodia e harmonias vocais de cair o queixo. Recomendo a banda!

 

UM - Você é um colecionador nato, poderia falar sobre seus preciosos itens? Quantos CDs e LPs? Se lembra como começou? Você é daqueles que ainda tem itens fechados mas já pensa na próxima aquisição?

 

 RS - Tenho uma coleção de CDs com quase dois mil itens, mas não compro nada há um bom tempo. Ela tem sido alimentada apenas com o que recebo de gravadoras. Acho que os preços estão muito caros e prefiro não gastar mais com isso. E não tenho itens muito raros não, a minha coleção é bem normal.

 

UM - De uns tempos pra cá você tem escrito bastante sobre cinema, TV e gibis. Poderia falar um pouco sobre a sua relação com esses três mundos que até possuem semelhanças, mas são bem diferentes?

 

RS - Eu li muito mais quadrinhos do que escutei discos em 2017. E isso, logicamente, influenciou a Collectors Room, que sempre foi uma extensão do que eu consumo. A ideia é escrever cada vez mais sobre HQs, pontuar um outro filme e série, e fazer isso em paralelo com a música. Sempre li e sempre colecionei quadrinhos, e a minha relação com eles é semelhante à relação que possuo com os discos. Acho que tanto os discos quanto as HQs são documentos da cultura humana que merecem ser tratados com carinho e preservados. São ferramentas que apresentam universos maravilhosos para as pessoas. Meu filho está com nove anos e sempre pega algum quadrinho da coleção para ler, e fico muito feliz em ver que essa paixão pela leitura e pela música também está sendo passada para a nova geração da nossa família.

 

UM - Você é um gaúcho que atualmente mora em Santa Catarina, certo? De uns 10 anos pra cá Curitiba e Porto Alegre têm recebido mais shows, às vezes recebem bandas que sequer vem ao Rio de Janeiro. Você poderia falar sobre essa mudança mercadológica? 

 

RS - Moro em Santa Catarina há 17 anos. Fui para Chapecó em 2001 e vim para Florianópolis em 2010. Vou falar sobre o Rio Grande do Sul, que é o que conheço mais. Porto Alegre e o estado todo sempre tiveram uma cena musical fortemente calcada no rock. O gaúcho é fã de rock, adora a cena inglesa, pira nos Beatles e Stones e isto é uma fato histórico. O rock gaúcho, por exemplo, está exemplificado em toda a sua essência no primeiro disco do TNT, lançado em 1987. É uma linha evolutiva que passa por Júpiter Maçã e acabou gerando também o Cachorro Grande. O que eu vejo no Rio é uma diminuição do público de rock, com vários shows que foram marcados aí tendo público abaixo do esperado, enquanto os shows em Porto Alegre e Curitiba lotavam. Isso aconteceu diversas vezes e foi importante para o mercado, pois mostrou que havia um grande público em regiões que sempre foram deixadas em segundo plano na hora de planejar os principais shows.

 

UM - Há algum estilo musical que você tenha uma maior curiosidade para explorar/conhecer? Ou algum que você fale "bicho, não tem como, isso realmente é um lixo"?

 

RS - Não acho que algum gênero musical seja "lixo". Não gosto de funk carioca, por exemplo, mas o papel de inclusão e representatividade que o estilo possui é importante para sociedade brasileira, no meu ponto de vista. O estilo musical que mais me irrita na verdade é esse sertanejo universitário, que na prática é a atual música pop brasileira e que não acrescenta nada a ninguém. Mas como eu não escuto e não consumo esse gênero, prefiro focar minhas energias em descobrir e pesquisar novos sons do que ficar me estressando com algo que eu não gosto.

 

UM - Ricardo, muito obrigado pela participação! Deixo o Coluna Blues Rock sempre aberto a você e ao Collectors Room! Seu trabalho é fantástico e você merece tudo nesse árduo trabalho na crítica musical! Uma última pergunta: se um jovem te fala que quer virar jornalista musical, qual a sua reação (sabendo que infelizmente não podemos viver apenas de nome na lista de shows e de CDs enviados por bandas, rs)? Qual o conselho que daria? Valeu!

 

RS - Obrigado pelo espaço e pelos elogios, Ugo. Se alguém me dissesse que quer ter uma carreira de jornalista musical ou qualquer outra, o meu conselho seria o de seguir na busca do seu sonho e dar sempre o seu melhor, fazendo um trabalho de qualidade e que ofereça algo diferente ao mercado. Eu não vivo de música, por exemplo, mas desejo muito que algum dia todos nós, que produzimos material legal e constante sobre música e cultura pop aqui no Brasil, possamos viver apenas disso.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

anuncie aqui

Destaques:
Please reload

 procurar por TAGS: 
66185439_3317518094955530_69382078520623