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Bate-papo com Terry Cole

17.01.2018

   O soul é o estilo musical que mexe com as emoções do artista e irradia vibrações capazes de implodir os sentimentos do público. Filho direto do casamento entre o blues e o gospel, é a maior escola de cantores norte-americanos, passando por Aretha Franklin, James Brown, Otis Redding, Booker T. Jones até jovens como Justin Timberlake ou a falecida Amy Winehouse. Gravadoras como a Motown e a Stax revelaram e gravaram os maiores expoentes de uma música com um ritmo inigualável, basta lembrar que os Jackson Five foram crias da Motown e logo depois Michael Jackson transcenderia todos os limites imagináveis e se tornaria o rei do pop mundial. 

   Seguindo essa tradição, Terry Cole, um cara que ama e respira música, fundou a Colemine Records, especializada em soul e funk. O ex-professor de biologia encarou um desafio árduo, produzir discos em tempos de downloads e on stream. "Bem, por sorte nós ainda conseguimos muitos produtos físicos. A maior parte do nosso negócio é a venda de LPs e discos de 45 rotações, então nós amamos e colocamos muito do nosso tempo e da energia ao criar produtos físicos únicos para os nossos consumidores". Terry ainda falou sobre um de seus artistas, Delvon Lamarr Organ Trio e seu amor pelo hip-hop dos anos 1990.

   Um papo bem leve e direto sobre os caminhos do soul nos EUA por um grande conhecedor. Leia e, depois, visite o site da Colemine Records, vá na fé, pois não tem banda/som ruim! 

  

Ugo Medeiros -  Você é um cara viciado em soul e funk. Esses estilos te acompanham desde cedo ou você iniciou na música através do rock'n'roll?

 

Terry Cole - Eu cresci escutando diversos estilos musicais: classic rock, jazz, R&B dos anos 1950. Mas provavelmente comecei com o rock e fui aos poucos indo pro jazz, depois, lá pelos meus vinte e poucos, me estabeleci no soul/funk.

 

UM - Acho bacana, você era um professor de biologia e eu sou professor de geografia! Ambos trabalhamos na música pelo prazer/amor que ela nos dá. Como foi essa transição de professor para dono de gravadora?

 

TC - Que legal! Eu sinto falta de lecionar e, certamente, trabalho muito mais agora, mas posso controlar o meu destino. Acho que é uma grande oportunidade ter esse selo e fazê-lo crescer. É divertido acompanhar isso tudo até o final!

 

UM - Eu conheci o seu trabalho através do Delvon Lamarr Organ Trio no Spotfy. Primeiro, poderia falar sobre a banda? Todos são bem talentosos, mas aquele guitarrista Jimmy James é insano!

 

TC - Todos eles são caras incríveis e muito talentosos! Nós estávamos procurando um grupo que nos levasse por um caminho um pouco mais jazzy e eles foram perfeitos! Determinados, corajosos e ótimos músicos! Estamos excitados por tê-los a bordo! 

 

UM - Como é ser dono de um selo em tempos que a relação público/artista não tem mais aquela ligação física (discos)? Eu conheço profissionais da indústria musical (donos de gravadoras, donos de lojas de discos e até jornalistas de revistas musicais) no Brasil que encerraram as atividades, perderam seus empregos...

 

TC - Bem, por sorte nós ainda conseguimos muitos produtos físicos. A maior parte do nosso negócio é a venda de LPs e discos de 45 rotações, então nós amamos e colocamos muito do nosso tempo e energia ao criar produtos físicos únicos para os nossos consumidores.

 

UM - Eu entrevistei a incrível Ruthie Foster e ela me disse que o gospel é a base de todo cantor norte-americano. Você concorda? Falando em gospel, podemos dizer que ele nasceu do casamento entre as tradições cristãs europeias e os vocais poderosos dos afro-americanos? A maioria dos cantores começaram nas igrejas batistas, certo?

 

TC - Acho que ela generalizou bastante, mas entendo o que ela quis dizer. Muitos dos cantores de soul começaram nas igrejas batistas do Sul, mas certamente nem todos...

 

UM - O soul é a fusão entre o blues e o gospel?

 

TC - O termo "soul" tem diferentes significados para diferentes pessoas. Em geral, sim, é uma mistura entre o blues e o gospel, mas eu acho que "soul" refere-se a um tipo de autenticidade, emoções genuínas, NÃO-artificiais.

 

UM - O soul é bem diferente dentro dele mesmo. Nós temos algumas escolas de soul, a Stax (no Sul), a Motown (no Norte) e aquela mais para o funk de Nova Orleans (Dr. John, The Meters). Qual dessas é a sua favorita, a que mais teve artistas ao seu gosto?

 

TC - Eu realmente amo todas essas, mas provavelmente tendo mais pela STAX ou pela "vibe" de Nova Orleans. Eu gosto mesmo daquelas baterias de jazz bem vagabundas (que soam como aqueles latões de antigamente) e eu sou maluco pelo órgão Hammond!

 

UM - Ok, James Brown é o "godfather" do funk. Mas como esse estilo nasceu? Podemos dizer que é o soul com mais adrenalina?

 

TC - Essa é uma pergunta muito ampla e é uma que não gostaria de me ser endereçada. Acho que funk tem mais  ver com o ritmo. A bateria e o baixo, é de onde vem o funk. É um tipo bem peculiar de ritmo dançante e você sabe quando o escuta.

 

UM - Você poderia indicar alguns discos importantes para um iniciante no soul?

 

TC - Bem pessoalmente, Pain In My Heart do Otis Redding, Time & Place do Lee Moses, Think About It da Lyn Collins e The Meters do The Meters. Mas, novamente, para mim.

 

UM - Como você enxerga a cena de hip-hop? Você considera o Hip-hop uma evolução do soul/funk? O hip-hop nasceu com o objetivo das comunidades marginalizadas contarem um pouco dos seus cotidianos de pobreza e de violência, certo? Mas, claro, sem aquele conteúdo religioso...

 

TC - Eu cresci escutando muito de hip-hop, mas não corro mais atrás de nada novo, não sei por quê. Talvez eu esteja ficando velho, mas eu ainda amo o hip-hop dos anos 1990, como A Tribe Called Quest, Common, De La Soul, etc. Com certeza há uma ligação entre hip-hop, soul e funk. Muitas gravações de soul e funk serviram como samples para artistas/canções de hip-hop, eles estão/estarão ligados para sempre.

 

UM - Você aceitaria gravar um artista de "gangster" hip-hop?

 

TC - Não é a praia do nosso selo, portanto, não.

 

 

 

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