Conheça Doyle Bramhall II


Salve leitores do Coluna Blues-Rock! Em minha primeira contribuição ao site, gostaria de convidá-los a conhecer um pouco da carreira do guitarrista, produtor musical e “amigão da galera” (gente como Eric Clapton, Sheryl Crow, Roger Waters) Mr. Doyle Bramhall II.

O conheci há três anos, através da ficha técnica do disco Me and Mr. Jonhson (2004) do Eric Clapton. Ouvi um slide poderoso na faixa When you got a good friend. Questionei-me, será que slide é realmente do próprio Clapton? Ao ler a ficha técnica encontrei o nome do Doyle e assim começou minha relação de amor, digo, de investigação . Vocês leem fichas técnicas dos discos? Aliás, ainda conomem o material físico? Deveriam (rs)!

Lá encontra-se informações referentes aos que participaram da obra, por exemplo, quem fez aquele solo de baixo na faixa 5, o de bateria na faixa 2… e por aí vai. Respostas que não encontramos nas plataformas digitais, ao menos por enquanto. Existem muitas personagens em uma criação artística, mas isso é conversa para outro texto.

Doyle Bramhall II nasceu em 24 de Dezembro de 1968, em Dallas (Texas). Seu pai Doyle Bramhall chegou a abrir os shows de Freddie King e foi baterista da banda do Stevie Ray Vaughan. A convivência com a família Vaughan é determinante, aos dezesseis anos já atuava como segundo guitarrista da banda The Fabulous Thunderbirds, liderada por Jimmie (irmão de Stevie).

Seu primeiro álbum de estúdio foi lançado em 1992 com a banda Arc Angel, composta por Charlie Sexton (guitarra e vocal) e Chris Layton (bateria) e o Tommy Shannon (baixo). Chris e Tommy, vale lembrar, foram membros da Double Trouble, banda que acompanhou Stevie Ray Vaughan.

A estreia Doyle solo veio com o disco Doyle Bramhall II (1996), um bom disco de blues-rock. Mas foi com o segundo, Jelly Cream (1999), que o músico chamou a atenção de Eric Clapton. Recebeu um convite irrecusável: ir à casa de Clapton para lhe ensinar a tocar , as canções I wanna be e Mary you. Músicas que estariam presentes no emblemático Riding With The King ( 2000), parceria com o saudoso BB King. Vale mencionar que o disco, Riding With The King está completando 20 anos e no dia 26 de junho será lançada uma versão deluxe, nas mídias digitais, com mais 2 novas canções. Informação obtida através da Coluna Blues Rock em suas mídias sociais enquanto eu escrevia esse texto. Obrigado!

Em 2001 lançou seu terceiro disco, Welcome, em que manteve a pegada e as letras marcantes em Jelly Cream. Após um hiato de uma década e meia, período no qual atuou na produção de artistas como Eric Clapton, Sherly Crow, Derek Trucks e Susan Tedeshi, gravou seu quarto album. Rich man (2016) foi marcado por diversas canções escritas em homenagem ao seu pai, falecido em 2011.

Em outubro de 2018 chegou Shades, contando com participações de artistas como Eric Clapton, Norah Jones e a Tedeshi Trucks Band. Neste trabalho, nota-se menos peso das guitarras e instrumentos de percussão, mas com uma precisão melódica incrível. Solos moderados mais preocupados com a construção da música em si.

Algumas faixas valem mais alguns rabiscos. Searching for love é marcada pelo perfeito encaixe das vozes de Norah Jones e Doyle em meio ao piano e a guitarra. Everything you need, com colaboração de Eric Clapton, é uma bela uma balada e Going going gone é uma versão maravilhosa de Bob Dylan com as participações do slide melódico de Dereck Trucks e do vocal soul de Susan Tedeschi, uma verdadeira obra de arte. Uma curiosidade sobre a faixa que abre o album, Love and pain, ela foi uma resposta aos ataques que ocorreram em 2017 a uma boate LGBT em Las Vegas.

Faço o convite ao leitor para que conheça este artista ou revisite sua obra caso já o conheça. Até a próxima!


*Wallace Carvalho é professor de história e mestre em Relações Étnico-Raciais

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