Entrevista Tia Carroll


Tia Carroll é alto astral, uma cantora versátil e, sobretudo, extremamente humilde. A norte-americana, que terá uma turnê pelo Brasil ainda neste ano, falou sobre a carreira e as raízes musicais. "É engraçado, quando comecei a cantar com uma banda, costumava pensar que poderia soar como Etta James, Aretha Franklin, Tina Turner, James Brown, Tyrone Davis, Gladys Knight, Chaka Khan, Ray Charles e assim por diante. O que percebi nas gravações e ao me ouvir na vida real é que não soava como nenhuma dessas pessoas. Eu soo como eu", revelou.

Ela também falou seu amor pela música dos anos 1950, seus trabalhos anteriores e, em especial, sobre o seu novo disco, You Gotta Have It. "De longe, esse é o projeto mais falado que já fiz. Brazil Sessions Eu acho que foi um grande projeto de ruptura em que estive envolvida e meu nome foi plantado como uma semente. You Gotta Have It é a água e o sol que fazem a semente crescer e se transformar na flor que sou eu hoje. (...) Estou muito honrada por ter este projeto com algumas das minhas canções originais e com todas as críticas maravilhosas e positivas, estou apenas humilde", explicou a vocalista. Tia Carroll é uma das maiores e mais marcantes vozes da atualidade, seu trabalho é sensacional!


Ugo Medeiros – Você é nascida e criada em Richmond, California. A California tem uma forte base musical, a música lá tem mais swing. Você poderia falar sobre a música dentro da tua casa e no teu bairro?


Tia Carroll - Oi Ugo, Muito obrigado por me convidar para esta conversa, agradeço muito por você e pelo que faz. Sim, crescer na Califórnia, eu entendo que é muito diferente que muitos outros estados aqui nos EUA. O que eu ouvia enquanto crescia era música dos anos 50 e 60 e quando eu tinha idade suficiente para escolher a música que eu queria ouvir, era a mesma música. Soul, Blues, R&B, Rock, Country e Pop. Isso é o que estava dentro da minha casa. Fora de casa havia principalmente R&B, Soul, gospel e Blues. UM – Eu tenho uma teoria: toda a música negra americana veio do blues e do gospel. Você concorda?


TC – Até certo ponto, sim, concordo com você nisso. A história nos conta que a única maneira de os negros se comunicarem livremente enquanto escravizados era por meio de canções, sons, zumbidos ou batidas de tambores. Quando você ouve um blues clássico ou uma música gospel dos anos 30 ou 40, o que você realmente consegue captar é o gemido e o ritmo. A cadência das letras e as histórias contadas. Avançando para o blues de hoje, grande parte da música é coberta por sons eletrônicos, no entanto, se você tirar tudo isso e apenas ouvir a voz e a bateria, você pode ouvir o gospel clássico e o blues. UM – Quais as diferenças entre o West Coast blues e o Chicago blues?

TC – Essa é uma excelente pergunta Ugo, como uma pessoa que não toca absolutamente nada, minha melhor opinião sobre o assunto é que o som de Chicago é mais pesado e deliberado e o som da Costa Oeste é um pouco mais suave e ágil. Temos um ambiente diferente para viver e isso produz um tipo de sensação diferente de ser tocado através dos instrumentos. No que diz respeito ao canto e às letras, não sinto que haja muita diferença. UM – Você pode falar sobre o Yakety Yak? Foi a tua primeira banda profissional, né?

TC – Oh meu Deus, sim. Essa foi a minha primeira vez em uma banda de verdade. Eles foram ótimos. Eles sabiam que eu não tinha experiência em cantar para uma plateia, nem em liderar uma banda. Isso deve ser exatamente o que Deus pretendia que eu fizesse, porque eu pude começar imediatamente. A banda era uma banda temática que fazia música dos anos 50. Perfeito! Eu cresci ouvindo e cantando junto com músicas dos anos 50. Nunca ficava nervosa, sempre estava animada com os shows.

UM – É incrível, você abriu para lendas como Ray Charles, Gladys Knight e Patti LaBelle. Como ficar perto dessas lendas da música?

TC – Percebi há muito tempo que todo mundo veste roupas como eu. A única diferença pode ser quanto custam essas roupas, hahahaha. Portanto, sinto-me confortável perto de pessoas, lendas ou não. Estou maravilhado com o talento que eles têm e com as histórias que acumularam, no entanto, sinto que cada dia é uma oportunidade de encontrar alguém e compartilhar um pouco de humanidade com essa pessoa. Eu não preciso ter uma foto ou um autógrafo, mas prezo qualquer tempo de qualidade gasto com aqueles que estão fazendo o que eu amo fazer, compartilhar o amor pela música. UM – A Etta James foi a maior blueswoman na história do blues? O quanto ela te influenciou?

TC – É engraçado, quando comecei a cantar com uma banda, costumava pensar que poderia soar como Etta James, Aretha Franklin, Tina Turner, James Brown, Tyrone Davis, Gladys Knight, Chaka Khan, Ray Charles e assim por diante. O que percebi nas gravações e ao me ouvir na vida real é que não soava como nenhuma dessas pessoas. Eu soo como eu. Então, para responder a essa pergunta, fui inspirada por muitos e influenciada por ainda mais. UM – Seu primeiro álbum solo foi Wanna Ride. Pode falar sobre?

TC – Oh cara, eu pensei que era uma deusa do rock! Novamente, pensando que parecia Axel Rose, Steve Perry, Mick Jagger, Steven Tyler, Alanis Morrissette e assim por diante. Mais uma vez, era só eu. Eu amo um bom choro de guitarra e solo de bateria com um bumbo duplo. Então eu escrevi um material que achei que seria incrível e foi. Provavelmente não foi a melhor representação para mim, mas com certeza foi divertido! UM – E o teu segundo disco, Tia Carroll?

TC – Sim, na época em que fiz este segundo álbum eu tinha me acalmado e me prendido mais ao R&B. Acho que quase havia encontrado minha voz natural. UM – Você tocou e gravou na Itália. Como foi?

TC – A Itália é absolutamente linda e eu fui abençoada por poder viajar e tocar lá. A gravação que foi feita lá foi coordenada pelo produtor Tano Ro e eu gravei com a banda que estava em turnê com Dany Franchi. Foi superdivertido e estou ansiosa para voltar à Itália. Minha primeira viagem para lá eu estava em turnê com Lou Leonardi e sua banda e nós viajamos para a maior parte do sul da Itália. Minha segunda viagem foi para Torino, onde pude trazer minha banda dos Estados Unidos e fizemos turnê pela maior parte do norte da Itália. UM – Você também já tocou bastante no Brasil. Como você conheceu o Igor Prado? Na minha opinião, ele é um dos grandes artistas do blues atualmente do mundo...


TC – Sim, Igor tem talento ilimitado. Conhecemo-nos na Suíça no Lucerne Blues Festival. Foi minha segunda vez no festival, porém minha primeira vez com minha banda dos Estados Unidos. (Isso é realmente uma grande coisa, trazer sua própria banda). Ele viu nosso show e perguntou depois se eu teria interesse em fazer uma turnê pelo Brasil e trabalhar com seus músicos. Bem, sim!!! Claro, porque eu vi o show dele também e foi incrível! Isso foi em 2010 e temos sido grandes amigos desde então. UM – No Brasil você sempre toca com o Luciano Leães, um grande amigo. O que você pode falar sobre ele?


TC – Luciano faz parte da minha grande família no Brasil. Como se costuma dizer “Eu sou quase brasileira”. Ele também é meu irmão, amo seu espírito, amo seu talento, amo sua linda e talentosa esposa e seus músicos são mais meus irmãos brasileiros. É uma bênção poder dividir o palco com ele. UM – Você tem uma turnê pelo Brasil se aproximando, certo? Nos conte aí...


TC – Ah sim!!! Estou muito animada com meu retorno ao Brasil. Já se passaram cerca de três anos desde a minha última visita e mal posso esperar para ver toda a minha família, amigos e fãs lá no Brasil. Temos quase doze shows, com talvez mais alguns a serem adicionados e sou muito grata ao Igor por alinhar todos esses locais e shows. Não é tão fácil como antes da pandemia global, que tem contribuído enormemente para a interrupção das viagens e da música ao vivo. Tenho feito tudo o que posso para me preparar para continuar com a música. Estou totalmente vacinada e terei minha terceira vacina quando chegar. Temos alguns shows em algumas cidades que eu não visitei e isso é sempre emocionante. Provavelmente Igor e eu fizemos shows em 60 ou 70 cidades diferentes no Brasil de 2010 até agora. Cada cidade é única e tem algo especial a oferecer que é diferente. Eu amo isso!

UM – Você poderia falar sobre o teu úlltimo disco, You Gotta Have It?

TC - De longe, esse é o projeto mais falado que já fiz. Brazil Sessions Eu acho que foi um grande projeto de ruptura em que estive envolvida e meu nome foi plantado como uma semente. You Gotta Have It é a água e o sol que fazem a semente crescer e se transformar na flor que sou eu hoje. Noel Hayes me abordou com a ideia e Jim Pugh e Kid Andersen tornaram a música especial junto com Paul Revelli, D’Mar na bateria e Steve Ehrmann no baixo. Vicki Randle fazendo percussão e vocais em uma das faixas, os Sons of Soul Revivers fazendo harmonias e vocais em algumas das faixas. Igor Prado, Charlie Hunter e Sax Gordon emprestando alguns de seus incríveis talentos neste projeto junto com os poderosos sopros de Mike Renta, Aaron Lington, Rob Sudduth e Jeff Lewis. Estou muito honrada por ter este projeto com algumas das minhas canções originais e com todas as críticas maravilhosas e positivas, estou apenas humilde.




ENGLISH VERSION:


Ugo Medeiros – You were born and raised in Richmond (CA). California has a strong musical background, music overthere has more swing. Could you talk about the music inside your house and in your neighborhood?


Tia Carroll - Hi Ugo, Thank you so much for inviting me to this conversation, I appreciate you and what you do very much. Yes growing up in California I understand is very different that lots of the others states here in the US. What I heard growing up was music from the 50’s and 60’s and by the time I was old enough to pick the music that I wanted to hear, it was the same music. Soul, Blues, R&B, Rock, Country and Pop. That is what was inside my house. Outside of the house was mostly R&B, Soul, gospel and Blues.

UM – I have a theory: the entire black american music came up from gospel and blues. Do you agree?

TC – To a degree, yes I do agree with you on that. History tells us that the only way for black people to communicate freely while being enslaved was through song, sound, humming or drum beat. When you hear a classic blues or gospel song from the 30’s or 40’s what you can really pick up on is the moan and rhythm. The cadence of the lyrics and the stories being told. Fast forward to today’s blues, a lot of the music is covered over by electronic sounds however if you strip all of that away and just listen to the voice and the drums, you can hear the classic gospel and blues.

UM – What are the differences between west coast blues and the Chicago blues?

TC – That is an excellent question Ugo, as a person that plays absolutely nothing, my best take on the subject is that the Chicago sound is harder and more deliberate and the West Coast sound is a little softer and more smooth. We have a different environment to live in and that produces a different kind of feeling to be played through the instruments. As far as singing and lyrics I don’t feel there is much difference at all.

UM – Could you talk about Yakety Yak? Was it your first professional band?

TC – Oh my gosh, yes. That was my very first time in a real band. They were just great. They Knew that I had no experience in singing in front of an audience, nor did I have any experience in leading a band. This must be exactly what God intended for me to do because I was able to just start right in. The band was a theme band that did music from the 50’s. Perfect! I grew up listening to and singing along with music from the 50’s. I was never nervous, I was always excited about the shows.

UM – That’s amazing, you opened to such legends as Ray Charles, Gladys Knight and Patti LaBelle. How to getting close of these music legends?

TC – I realized long ago that everyone puts on clothes just like I do. The only difference might be how much those clothes cost, hahahaha. So I am comfortable around people, legends or not. I am in awe of the talent they have and stories they have accumulated however, I feel that every day is an opportunity to meet someone and share some humanity with them. I don’t have to have a picture or an autograph, but I do cherish any quality time spent with those who are doing what I love to do, share music love.

UM – Was it Etta James the best blueswoman in blues history? How much did she influenced on you?

TC – It’s funny, when I started singing with a band, I used to think I could sound like Etta James, Aretha Franklin, Tina Turner, James Brown, Tyrone Davis, Gladys Knight, Chaka Khan, Ray Charles and so on and so on. What I realized in recordings and hearing myself in real life is that I didn't sound like any of those people. I just sound like me. So to answer this question, I was inspired by many and influenced by even more.

UM – Your first solo álbum was “Wanna Ride”. Could you talk about it?

TC – Oh boy, I thought I was a Rock Goddess! Again, thinking that I sounded like Axel Rose, Steve Perry, Mick Jagger, Steven Tyler, Alanis Morrissette and so on and so on. Again it was just me. I love a good guitar wail and drum solo with a double kick bass. So I wrote some material that I thought would be rockin’ and it was. It probably was not the best representation for me but it sure was fun!

UM – What about the second álbum, “Tia Carroll”?

TC – Yes, by the time I did this 2nd album, I had calmed down and stuck to more R&B. I think I had almost found my natural voice.

UM – You have played a recorded a lot in Italy. How was it?

TC – Italy is absolutely beautiful and I was blessed to have been able to travel and play there. The recording that was done there was coordinated by producer Tano Ro and I recorded with the band that I was touring with Dany Franchi. It was super fun and I look forward to returning to Italy. My first trip there I was touring with Lou Leonardi and his band and we traveled to most of the South of Italy. My 2nd trip was to Torino where I was able to bring my band from the States and we toured most of the North of Italy.

UM – You also played a lot in Brazil. How did you meet Igor Prado? In my opinion he is one of the greatest blues artists today in the whole world...

TC – Yes, Igor has limitless talent. We met in Switzerland at the Lucerne Blues Festival. It was my 2nd time at the festival however my first time with my band from the States. (That is really a big thing, bringing your own band). He saw our show and asked later if I would be interested in touring Brazil and working with his musicians. Well yes!!! Of course, because I saw his show too and it was amazing! That was back in 2010 and we have been great friends ever since.

UM – In Brazil you Always play with a great friend of mine, Luciano Leães. What could tell about him?


TC – Luciano is a part of my extended family in Brazil. As they say “Eu sou quase brasileira”. He too is my brother, I love his spirit, I love his talent, I love his beautiful and talented wife and his musicians are more of my Brazilian brothers. It is a blessing to be able to share the stage with him.

UM – You have a brazilian tour coming up, right? Could you talk about it?


TC – Oh yes!!! I am so excited about my return to Brazil. It’s been about 3 years since my last visit and I can hardly wait to see all of my family, friends and fans there in Brazil. We have almost 12 shows with maybe a few more to be added and I am so grateful to Igor for lining up all of these venues and shows. It is not as easy as it was before the global pandemic that it has been a huge contributor to the discontinuance of travel and live music. I have done all I can to prepare myself to continue with music. I am fully vaccinated and will have had my 3rd vaccine shot by the time I arrive. We have some shows in a few cities that I have not been to and that is always exciting. Igor and I have probably done shows in as many as 60 or 70 different cities in Brazil from 2010 till now. Every city is unique and has something special to offer that is different. I love it!


UM – Could you talk about your last álbum, “You Gotta Have it”?

TC - By far, this is the most talked about project that I have done. Brazil Sessions I feel was a great breakout project that I was involved in and my name was planted as a seed. You Gotta Have it is the water and the sun that makes the seed grow in to the blooming flower that is me today. Noel Hayes approached me with the idea and Jim Pugh and Kid Andersen made the music special along with Paul Revelli, D’Mar on drums and Steve Ehrmann on bass. Vicki Randle doing percussion and vocals on one of the tracks, the Sons of Soul Revivers doing harmonies and vocals on a few of the tracks. Igor Prado, Charlie Hunter and Sax Gordon lending some of their incredible talents on this project along with the mighty horns of Mike Renta, Aaron Lington, Rob Sudduth and Jeff Lewis. I am so honored to have this project with some of my original songs and with all of the wonderful and positive reviews I am just humbled.

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