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Entrevista Cristiano Crochemore

01.03.2012

 

Maior revelação desde a Prado Blues Band, Cristiano Crochemore esbanja talento na arte de tocar o blues. Seu vocal de extrema qualidade acompanha uma pegada precisa, hora suave, hora mais agressiva. O gaúcho é o perfeito exemplo do blues atual, canções tradicionais com uma levada mais pop [e isso não é crítica, é um elogio, pois é muito bem feito!]. O lançamento do primeiro disco solo, Play it Again, é a afirmação no cenário nacional.


Ugo Medeiros – Recentemente, você gravou seu primeiro disco solo pela Delira Blues. Você pode contar como foi a gravação? Aliás, poderia falar um pouco sobre o disco?

Cristiano Crochemore - O disco Play it Again saiu pela gravadora Delira Blues, um selo de Blues que recentemente lançou trabalhos de artistas como Blues Etílicos, Álamo Leal, Ricardo Werther e Mauricio Sahady. O álbum teve uma historia bem peculiar, ensaiávamos o repertório há um bom tempo, Otavio Rocha (guitarra), Hélio Ratis (bateria), Luciano Mendes (Baixo) e eu. Decidimos fazer um último ensaio para a gravação propriamente dita, que seria alguns dias depois. Entramos no estúdio e gravamos a sessão, e o resultado ficou tão bacana a ponto de decidirmos que aquele ensaio seria o disco. Levei o material para o Pedro Garcia, que logo começou a mixar e em seguida masterizou o disco mantendo a sonoridade que havíamos conseguido, mas dando o punch que faltava! A bolacha, então, estava pronta!

UM – Você toca bastante com a Blues Groovers, formada por excelentes músicos com passagens por grandes bandas da cena de blues carioca. Você poderia falar um pouco sobre cada um?

CC - Desde que comecei a trabalhar com o Otavio Rocha (Blues Etílicos), surgiram várias oportunidades de tocarmos juntos, a Blues Groovers e eu. O Beto me ajudou diretamente com os vocais do disco, nos meus vocais e backing vocals, que, aliás, gravamos juntos. Ele esteve presente em todo o processo de mix do disco! O Beto é um dos grandes bateristas desse país que eu tenho o prazer de tocar, assim como o Helinho Ratis, Pedro Strasser e outros.
O Ugo é um grande baixista, sempre preciso e “na pressão”. Em palco é sempre um combustível a mais, pois quando o cara entra no palco contagia todos com a sua energia.
O Otavio é com quem trabalho há mais tempo, desde o início, na seleção do repertório e nos ensaios com o Helio e o Luciano. Como mostra o encarte do disco, foi quem deu uma direção bem objetiva do que eu queria. É um cara que está sempre com alto astral, sempre a fim de tocar, fazendo com que todos os shows tenham uma boa vibe, do barzinho à uma arena! Além de ser um dos maiores guitarristas que conheço...

UM – Qual foi o seu set utilizado na gravação?

CC - Usei um amp. Fender Blues Deluxe com a minha Fender Stratocaster 72 e uma Telecaster Reissue 62. Já o Otavio, um amp. Loester de um cara de São Paulo e duas guitarras: Gretsch e Gibson SG.

UM – Em 2007 você foi apresentado oficialmente ao público carioca ao tocar no 3º Festival Nacional de Blues produzido pelo Renato Arias, que já trabalhou com Blues Etílicos, André Christóvam, Big Allambik e tantos outros. Como foi trabalhar com ele?

CC - Um amigo, Alexandre Chalom, me indicou ao Renato. Desde o início foi muito bacana trabalhar com ele, sempre dando a maior força e apoio, mesmo ainda sem conhecer o meu trabalho. Ele é um cara que gosta muito do que faz, muito envolvido com a música e com os músicos com quem já trabalhou. Por isso seus projetos sempre dão muito certo. 

UM – Poucos sabem, mas você começou profissionalmente em uma banda de punk em Porto Alegre...

CC - Na verdade, é uma banda de Rock and Roll, uma das pioneiras no país, Os Garotos da Rua. Comecei ao lado de Bebeco Garcia, um dos mais importantes guitarristas do Brasil e, com certeza, um dos que mais influenciaram o rock no sul. Entrei na banda no início dos anos 1990 e a banda já tinha uns dez anos de estrada. Gravei quatro álbums com a banda e no trabalho solo do Bebeco.

UM – Certa vez você me falou que suas grandes inspirações eram Stevie Ray Vaughn e Eric Clapton. Como cada um te influenciou?

CC - Durante a minha formação “guitarrística” escutei muitos nomes. Na minha infância ouvia muito Clapton, B B King, Stevie Ray Vaughan e Johnny Winter. Estes foram os que mais fizeram a minha cabeça no começo e talvez os que mais tenham me influenciado. O fraseado do Clapton, a doçura do BB KIng e o power do Vaughan e do Winter fazem uma combinação essencial a ser buscada por todo guitarrista, seja de que gênero for. Continuo a minha busca, sempre ouvindo os caras!

UM – Qual a sua principal fonte: blues inglês ou americano? Aliás, quais as diferenças entre eles?

CC - Comecei com Clapton, que é inglês, e depois vieram os americanos em uma ordem inversa. Quando a música é feita de forma verdadeira, transcende as fronteiras. As nuances, o sotaque, os climas mudam, mas é tudo blues.

UM – O Texas é um estado que recebeu várias influências musicais diferentes de diversos países. Como isso afeta, de fato, no blues? Qual a diferença, por exemplo, entre o blues de Chicago e o do Texas.

CC - Não sou um profundo conhecedor dos diversos subestilos, suas histórias e influências promordiais tal como meu amigo Álamo Leal, mas entendo que o blues recebeu influências de diversas maneiras. O blues de Chicago e Texas se diferem, entre outros pontos, pelo swing das levadas e pelas formações das bandas: a gaita é presença certa em Chicago, assim como o naipe de metais no Texas.

UM – Ano passado você tocou no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, o maior festival do estilo na América Latina. Como foi? Eu conversei com alguns músicos estrangeiros e eles afirmaram que você não fica atrás de nenhum americano...

CC - É sempre legal ter reconhecimento, ainda mais vindo de caras que nasceram ouvindo essa música. É realmente uma prova de que estamos no caminho certo.

UM – Atualmente Porto Alegre já recebe mais shows de rock e blues do que o Rio de Janeiro, algo inimaginável há alguns anos. Como você vê a atual cena gaúcha? Há alguma banda ou artista que te chame atenção? Como tem sido a recepção ao seu trabalho?

CC - Estou há muito tempo fora, mas Porto Alegre sempre teve uma cena de rock e blues muito forte e importante. Nomes como Solon Fishbone, Fernando Noronha, Marcio Petraco e Luiz Henrique Gomes (Tche), provam o que digo.

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