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Brasil

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Entrevista Jefferson Gonçalves

08.05.2017

 

Fundador de uma das bandas mais importantes do blues brasileiro, o Baseado em Blues, Jefferson Gonçalves consolida sua excelente carreira solo com sete discos/DVD. Mesclando musicalidades nordestinas com a tradicional música americana, inova no cenário blueseiro ao mostrar que o brasil também possui grandes músicos do estilo. 

 

Ugo Medeiros – Atualmente a sua carreira solo toma novas vertentes. Um som com influências nordestinas, sonoridades regionais. De onde vem isso?

 

Jefferson Gonçalves – Esta influência veio desde novo. Se você for ver minha discografia, eu tenho de música clássica a blues, música nordestina, banda de pau e corda, banda de pife, etc. Gosto de estudar o ritmo. Sempre procurei tocar gaita de forma percussiva. A música brasileira, principalmente a nordestina, é uma das mais ricas ritmicamente. Encaixa muito dentro da gaita; é possível pegar muita coisa de sanfona e pife e transportar pra gaita. Comecei a ver uma ligação. Acho que essa mistura está dando certo...

 

UM - Você considera o baião o estilo brasileiro mais próximo ao blues?

 

JG - Pode se dizer que sim, acho os lamentos nordestinos muito próximos dos lamentos do Mississippi, mas tem vários outros estilos que chegam próximos ao Blues e isso é simples, tudo veio da África. Ou seja, a raíz é a África e da mistura de seus frutos muitos outros foram nascendo e tomando o mundo. 

 

UM - Esseseu trabalho mostra que o blues não é aquela caixa quadrada como muitos pensam, né?

 

JG - Eu acho isso, sempre achei, mas não sou o dono da verdade, faço o que gosto e por escutar de tudo o meu som é essa mistura doida. Gosto disso, isso é a minha verdade, mas não desmereço outros que querem tocar como os negros americanos ou como os roqueiros ingleses. São escolhas, eu escolhi esse caminho de misturar e tentar fazer um som meu, com minha assinatura e graças ao malucos da banda que toparam isso, a coisa está fluindo e estamos aí, tocando, nos divertindo e vivendo da nossa arte. Mesmo nesse Brasil louco! (rs).

 

UM – Quando começou esta atração pela gaita?

 

JG – Sempre gostei desde novo. Escutava Bob Dylan, Neil Young e Jethro Tull (o fato de ter uma flauta). Sempre fui ligado ao rock and roll, folk e até à música nordestina (gosto muito de bandas de pífanos). Mas quando tive a coragem de comprar o meu primeiro instrumento, foi a gaita. Comecei a tocar aos 20 anos, mas gosto de música desde os meus 10 anos.

 

UM - Você e o Kleber já fizeram algumas viagens para o Senegal. Além das apresentações e contatos, vocês também pesquisaram bastante a musica de raiz de lá, né?

 

JG - Sim, sempre estamos nessa busca de ritmos e ideias diferentes, isso vem de todos da banda.

 

UM - Você fez um CD financiado pelo crowdfunding. Como surgiu essa ideia?

 

JG - Na verdade foram dois projetos. O  primeiro CD/DVD Encruzilhada ao Vivo e o segundo foi o projeto com CD/LP Jefferson Gonçalves 25 Anos de Carreira. Eu entrei nesse sistema de crowdfunding graça à pilha do meu amigo Felippão Santo, ele disse que eu tinha todas as condições de conseguir e realmente deu certo. No segundo projeto eu passei da meta e deu para fazer um belo trabalho no encarte do LP. Vale lembrar que nesse projeto o Felippão ainda deu uma força na mix e masterização pela empresa dele a Soundtracks, como foi uma coletânea com 2 inéditas e algumas sobras de estúdio que não entraram nos outros trabalhos a mix ajudou muito para dar uma definição na qualidade do som, pois como foram em épocas diferentes e estúdios diferentes a mix foi um fator determinante. No segundo projeto eu também tive uma assessoria na parte de divulgação nas mídias eletrônicas que foi ótima, esse trabalho e toda a identidade visual do projeto foi feito pela Clarisse Lissovsky.

 

UM - Você já tocou em alguns lugares nos EUA. Quais os momentos mais marcantes?

 

JG - Cada viagem é marcante para mim, independente de ser no exterior ou no Brasil, gosto de estar na estrada, ON THE ROAD, sempre fui mochileiro e até hoje quando viajo com a família vamos todos de mochila e tentamos conhecer o local, as pessoas, a comida, a cultura, isso é muito bom. Minha primeira viagem em 1998 para Michigan foi ótima, pois toquei em um evento onde estavam todos os gaitistas que admirava e hoje são meus amigos, fui recebido pelo Peter Madcat Ruth em sua casa. Isso foi muito bom, pois era novo e consegui sair do meu país para tocar em um evento muito importante e conseguir isso fazendo o que gosta, graças à sua música não tem preço. Mas todas as viagens são boas!

 

UM – Por falar em turnês, há um tempo você fez uma com o Big Gílson pela Europa. O estrangeiro está começando a respeitar os bluesmen brasileiros?

 

JG – Não apenas os músicos de blues, mas de qualquer estilo! Música instrumental logo é associada ao Naná Vasconcelos, Hamilton de Holanda, Carlos Malta, entre outros. No mundo da gaita todos falam do Maurício Einhorn. Eles conhecem Fernando Noronha! A nossa música não deixa nada a desejar, temos uma vantagem: o swing e a rítmica. Eles acham legal que a gente não toque aquele blues tradicional. É impossível, temos que tocar da nossa forma com um toque de swing. Fomos muito bem recebidos. Aquela foi a minha primeira tour pela Europa, gostei muito.

 

UM - No último 4 de maio vocês tocaram no Teatro Rival, uma das raras oportunidades de tocar na sua cidade natal. Ainda é difícil tocar por aqui?

 

JG - Vamos tocar no Teatro Rival, palco muito bom! Esperamos ter um bom público. Ainda é difícil tocar no Rio e ter uma boa mídia, mas nesse ano de CRISE está ruim de tocar em todo Brasil. Vamos ver como o Brasil vai ficar, desse modo é que não dá, estamos voltando para trás e o que mais me deixa chateado é ver brigas, ofensas e xingamentos sem sentido. Recentemente fiz um webnário para falar sobre gaita junto com outro gaitista o Val Tomato e foi ótimo, mas antes do webnário acontecer tivemos vários post da galera. Todos elogiando a iniciativa, mas do nada, sem mais nem menos, um louco colocou "Vamos levar tacos de beisebol para bater em algum petista que aparecer no webnário!". Eu fiquei sem entender, o cara deve ser louco, pois o evento seria transmitido via internet, ou seja as pessoas assistiriam de suas casas ou onde estivessem, não era uma reunião onde todos estariam juntos fisicamente. Achei um comentário sem noção e constatei que cada dia que passa as pessoas não sabem mais ler e interpretar um texto, eles atacam ou ofendem sem mais nem menos. Como um evento de gaita seria palco de política? Quem falou de PT, PMDB? Tempos difíceis onde a intolerância e o preconceito estão crescendo, tudo é levado para o pessoal, estão misturando tudo. Precisamos acordar.

 

UM - Como está o projeto Blues Etc.?

 

JG - Estamos tentando engrenar, mas está complicado de acertar a agenda dos 3 (Big Joe Manfra e Pedro Quental) e conseguir agendar shows nessa fase de CRISE (rs). Mas somos persistentes, vamos continuar tentando.

 

UM – Você fez parte de uma banda que fez história no Rio de Janeiro, o Baseado em Blues. Como você analisa sua participação nessa banda?

 

JG – O Baseado em Blues foi a minha primeira banda. Na época eu tinha acabado de terminar a aula com o Flávio Guimarães e o Zé da Gaita. Eu arrumei um show para o Zé, então ele me mandou formar uma banda e abrir o show. Assim nasceu o Baseado em Blues. Ficamos 14 anos na estrada rodando o Brasil. Nós éramos muito inexperientes, aprendemos no palco. Aprendíamos juntos a como nos portar. Aprendemos muito na estrada. Foi a banda que me colocou no mundo da música. Se não fosse pelo Baseado, não estaria dando esta entrevista. Infelizmente a banda acabou, mas abriu o mercado para cada um fazer seus trabalhos solos.

 

UM – O Charles Musselwhite é uma grande influência na sua formação musical?

 

JG – Eu gosto da sua música, mas não é a minha influência como gaitista. Já escutei muito o trabalho dele, mas eu não tenho muito do estilo dele. A minha maior influência na gaita diatônica foi Little Walter e Sonny Terry e na cromática Toots Thielemans e Maurício Einhorn, além de muita coisa de bandas de pífano.

 

UM - Infelizmente o Festival de Rio das Ostras está em vias de acabar (se é que não morreu de vez). Você sempre esteve lá na produção, tocando com a banda e participando das jams. Você poderia fazer um balanço do evento nesses anos? Quais os momentos mais marcantes para você (seja tocando ou vendo artistas)?

 

JG - Não to sabendo disso! acabar?! Sei que teve muita dificuldade nos últimos anos, mas o Stenio Mattos esta contornando tudo da melhor maneira possível e até tirando do bolso para o festival não acabar, não podemos achar que acabou, está em uma fase ruim, mas acabar não! Volto ao assunto da CRISE, essa é uma fase que está afetando a todos, mas se entregarmos os pontos perderemos. Esse festival não pode e não vai acabar, o Stenio está mesmo correndo para tudo acontecer, pode ser em proporções menores, mas nunca vai acabar, não pode. Tive muitos momentos bons, muitos você presenciou, mas posso dizer que o ano passado, com o festival na crise de grana, palcos menores, estruturas menores, Rio das Ostras abandonada pela prefeitura da época, ver o festival acontecer graças à força de vontade de TODOS os envolvidos foi muito marcante. O público estava feliz e muito sensibilizado com a nossa "RALAÇÃO" para aquilo acontecer, muitas pessoas vinham falar com a gente, elogiavam e pediam para não deixarmos o festival morrer. Cara, isso foi marcante e não tem preço. O Stenio Mattos se fortificou e viu que fez muito pela cidade e pela música. Sinceramente, não acredito que ele deixe esse festival morrer, ele ama o que faz!

 

UM – Na primeira vez que te entrevistei falei que o Celso Blues Boy havia te rasgado de elogios. Infelizmente, ele se foi. Uma grande perda para o rock nacional , né?

 

JG - Para o Rock nacional e para todos os fãs que adoravam o Celso, eu perdi um amigo. Éramos muito próximos e mesmo sabendo que foi a escolha dele enfrentar a doença do jeito que enfrentou, foi um grande baque para mim. Logo em seguida foi a vez do Roberto Ly, outro grande amigo.

 

UM - Jefferson, essa entrevista será uma das primeiras entrevistas no novo site do Coluna Blues Rock. Saiba que você e o seu trabalho sempre serão mais do que bem-vindos por aqui!

 

JG - Muito obrigado meu amigo, agradeço de coração o apoio para divulgar minha música!

Forte abraço e viva a música! Convido a todos para acessarem minhas páginas: 

 

www.jeffersongoncalves.com         

www.myspace.com/jeffersongonalvesbanda

www.youtube.com/user/HarmonicaJG           

www.facebook.com/jefferson.goncalves1

www.twitter.com/#!/harmonicajg

www.melodybox.com.br/jeffersongoncalves/ouvir

http://soundcloud.com/jefferson-goncalves

http://tramavirtual.uol.com.br/jeffersongoncalves

 

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