© 2017 Coluna Blues Rock

Brasil

  • Instagram ícone social
  • Twitter Social Icon
  • Facebook Social Icon
  • YouTube Social  Icon

Entrevista Corey Harris

11.05.2017

 

Ele é um estudioso da música e viajou pela África para investigar as origens da música norte-americana. Suas contribuições lhe renderam um título honorário de doutorado na importante (e conceituada) Bates College, instituto intimamente ligada ao abolicionismo. Músico dos anos 1990, que priorizou o blues acústico e resgatou lendas como Otha Turner, também é fã de Bob Marley, Peter Tosh e Bad Brains. Atualmente Corey Harris mistura o blues  com elementos do reggae e se firma, ao lado de Alvin Youngblood Hart, como um dos grandes nomes pós-geração BB King/Buddy Guy.

 

Ugo Medeiros - O seu primeiro disco que eu escutei foi Greens From The Garden. Sinceramente, pensei que você fosse de Nova Orleans tamanha riqueza e variedade sonoras. Depois descobri que você é de Denver. Na sua infância, o que você mais escutava?

 

Corey Harris - Quando eu era mais novo escutava Roberta Flack, Steve Wonder, George Clinton, Lou Rawls, ZZ Hill, BB King e muitos outros. Eu também escutava rock, reggae e jazz.

 

UM - Ainda sobre Greens From The Garden, cara, a primeira vez que escutei eu pirei completamente! Hoje em dia eu coloco para a minha filha de um ano e meio. Sempre que ela escuta Eh, las bas começa a rir e dançar! Acho que MÚSICA é isso, né?

 

CH - Sim! E obrigado! Música é Humana e o Humano é Música.

 

UM - Além do meu trabalho no jornalismo musical, sou professor de Geografia. Sempre que eu ensino sobre Estados Unidos passo os documentários do Ken Burns, Jazz, e do Martin Scorcese, The Blues. Eu gostaria de te parabenizar pela participação no episódio sobre a raiz africana, simplesmente FANTÁSTICO! Você poderia falar um pouco sobre essa experiência? Além do Mali, você conheceu algum outro país? Na sua opinião o blues veio do Mali?

 

CH - Muito obrigado! Eu fui diversas vezes ao Mali para tocar e trabalhar. Eu também visitei Serra Leoa, Marrocos, Ruanda, Etiópia, Guiné e Guiné Equatorial. Em algumas semanas visitarei o Congo e ainda esse ano, mais para o final, tocarei na África do Sul. Sobre a origem do blues, ele veio de pessoas cujos antepassados vieram da África. O Mali foi apenas mais um lugar que as pessoas foram arrancadas.

 

UM - Você conheceu Otha Turner, uma lenda do fife & drum (equivalente ao pífano nordestino). Como você o conheceu? Você poderia falar sobre o relacionamento com o músico? 

 

CH - Eu cheguei a ele através da Living Blues Magazine, queria gravar com ele em um disco meu, Mississippi to Mali. Infelizmente ele morreu antes de gravarmos. Foi incrível estar perto dele porque era parte viva da História, uma conexão com os tempos antes do blues.

 

UM - Atualmente você tem um pé na música jamaicana ao lado da sensacional Rasta Blues Experience. Sobre a música jamaicana, você iniciou escutando o reggae clássico ou foi diretamente à música-de-raiz acústica, como o mento?

 

CH - Obrigado! Eu não toco música jamaicana. Eu toco música que tem um pouco de influência do reggae. Eu tenho a minha própria identidade. Comecei com Peter Tosh e Bob Marley, depois Burning Spear e Gladiators. Também adoro a música do The Jolly Boys.

 

UM - A sua escolha/mistura com a música jamaicana me lembra o Bad Brains, banda potente, visceral, de hard-core que também foi por esse caminho. Você conhece/gosta do som do Bad Brains?

 

CH - Eu amo a música do Bad Brains, sou fã deles de longa data. Não chamaria a música deles de "jamaicana", de forma alguma. Agora, de fato, às vezes é influenciada pelo reggae. Lembre-se que eles nunca usaram um tecladista, ou harmonizavam com melodias nem sopros, coisas que são bastante comuns no reggae. 

 

UM - Recentemente você esteve no Brasil (apenas em São Paulo). Você conseguiu escutar/pesquisar algo da música brasileira? Nós temos uma música extremamente rica com uma infinidade de estilos espalhados por todo o país. Eu já li alguns pesquisadores que se dedicam sobre as diferenças entre a música estadunidense e a brasileira. A grande diferença é que a maior parte dos escravos nos EUA vieram do Mali e da Nigeria, enquanto que no Brasil vieram de Angola e de Moçambique...

 

CH - Eu sei muito pouco sobre a música-de-raiz brasileira, gostaria demais de aprender sobre ela. [N.E.: mandei alguns links de músicas brasileiras, mas ele não comentou].

 

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

anuncie aqui

Destaques:
Please reload

 procurar por TAGS: 
66185439_3317518094955530_69382078520623