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Entrevista Ruthie Foster

15.05.2017

Ruthie Foster é fantástica! Ela vem de uma família de cantores de gospel, é uma amante do blues tradicional, ama o folk e não nega as influências do reggae. A texana tem uma discografia bem interessante, com destaque para os discos Full Circle, Stages, Runaway Soul e Let it Burn, e Já dividiu palco com o Allman Brothers Band, gravou com o Gov't Mule e excursionou com Warren Haynes. Confira a entrevista com a simpática e talentosa Ruthie Foster, que passou um tempo na Marinha e ainda se formou em engenharia musical!

 

 

Ugo Medeiros - Você veio de uma família de cantores de gospel. Você poderia falar sobre essa influência/formação? O que a sua família mais escutava/cantava? Eu considero o gospel a raiz/base de todo cantor norte-americano, você concorda?

 

Ruthie Foster - Eu também considero o gospel a raiz da minha música! Minha família era formada por cantores gospel, cantavam pelas Igrejas do Texas durante a minha infância. Naquela época eu não queria ser cantora, pois eles eram muito bons. Mas em um dado momento acabei encontrando o meu próprio estilo.

 

UM - Você nasceu no Texas, uma terra em que a música é forte por natureza. Vejamos o Blind Lemon Jefferson, um músico bem pesado para a época. Eu vejo essa força na sua música, você consegue mudar de um vocal "fofo" para um vocal potente, como na música Full circle. Você poderia falar sobre essa influência texana?

 

RF - O Texas tem uma grande variedade musical. Eu cresci escutando blues, gospel, tex-mex, country, soul music das antigas, tudo isso em um dia normal no rádio. Portanto, você escutará muita coisa diferente na minha música. Mais, eu gosto de me divertir e experimentar durante os meus shows, misturar tudo isso deixa uma onda interessante para mim. Eu também tenho músicos de diferentes estilos, com formações distintas, o que deixa meus shows mais heterogêneos.

 

UM - Eu escuto o seu trabalho e eu vejo algo da Bonnie Raitt. O quanto ela te influenciou?

 

RF - A Sra. Raitt e eu temos interesse pelos mesmos estilos musicais, portanto, é o que você acaba escutando. Eu escutei muito o início da carreira dela quando eu morava em Nova Iorque e escrevia para outros artistas. Com o passar dos anos ela se tornou uma grande amiga e nós nos tornamos fãs uma da outra.

 

UM - Você entrou para a Marinha e cantou em uma banda de funk? Como foi?

 

RF - Sim! Eu viajei por diversas partes do sudeste dos EUA com uma banda de funk e soul que tinha onze integrantes (incluindo uma seção de sopros). Aprendi muito sobre liderança, disciplina e trabalho com essa banda militar, bons tempos nessa turnê. Todas as habilidades são necessárias para ser bem sucedido nesse mundo da música (music business). Era um trabalho duro, ensaiávamos o dia todo para os nossos shows, incorporando novos instrumentos e sonoridades e até passos de dança para músicas atuais diariamente.

 

UM - A sua música é um mix de folk-country-blues e R&B. Você se considera uma musicista de um estilo específico? Eu gosto demais de artistas que fazem essa investigação das raízes musicais, como Corey Harris, Alvin Youngblood Hart, Wynton Marsalis, etc...

 

RF - Poxa, esse foi um grande elogio. Eu me considero uma estudante da música. Eu amo estudar e aprender, com o tempo aprendi e entrei em contato com esses nomes que você mencionou. Não vejo nenhum mal em fazer essa fusão de estilos quando possível, até mesmo para deixar o público mais interessado (até mesmo eu!). Eu gosto da ideia de apresentar ao ouvinte novos estilos, à pessoa que não escutaria blues ou soul ou R&B. É bacana fazer com que essa pessoa vire fã de um estilo que ela não conhecia ou que nunca tinha prestado atenção através de uma versão minha.

 

UM - Falando em influência musicais, vi um vídeo seu com o Blues Traveler tocando No woman no cry, muito bacana. Escutei Real love do seu disco Stages, uma canção de reggae bem forte que tem um vocal bem encorpado. Você poderia falar sobre o reggae na sua vida?


RF - Eu tenho amigos na indústria musical que são reggae rappers, amo o que eles fazem com as palavras e os ritmos. Pode ser algo muito forte quando você mistura essas duas coisas. Eu amo as palavras e um bom ritmo, e o reggae justamente tem ambos. É um estilo muito distinto e faz sempre com que as pessoas dancem. É sempre muito bacana ver uma apresentação de reggae do backstage. Real love é a minha versão de reggae.

 

UM - Você é graduada em engenharia musical? Que legal! Você acha que isso te deu uma maior segurança na hora de cantar e de gravar?

 

RF - Acredito que ter esse conhecimento básico na mesa de som é algo a mais, especialmente como vocalista. O microfone é extensão da voz. Eu sei bastante sobre como um microfone específico é melhor para a minha voz do que um outro. É um ótimo exercício, como vocalista, escutar e saber onde é/está o seu ponto certo em um sistema de som. Apesar de eu sempre ter trabalhado com engenheiros de som incríveis, eu posso sempre entrar em uma gravação ou situação musical e trabalhar para as minhas características. Claro, sem ofender o trabalho de nenhum desses profissionais das mesas de som. 

 

UM - É verdade que você recusou um contrato com a Atlantic Records? Muito músicos dariam um braço por um contrato com uma gigante da música...

 

RF - Na verdade, eu assinei com a Atlantic por três anos enquanto eu vivi em Nova Iorque. Eu escolhi não gravar pelo selo porque queria aproveitar a oportunidade para aprender a compor letras e me apresentar ao vivo. Foi uma boa escolha porque depois eu fui embora sem dever nada à companhia (música ou dinheiro), estava em dia com todas as minhas obrigações. O que é um ótimo negócio para artistas em desenvolvimento.

 

UM - Sobre o disco de estreia, Full Circle, você passava por um momento difícil na sua vida, não? É um disco muito bom. Você poderia falar sobre o disco?

 

RF - Depois de expirar o meu contrato com a Atlantic voltei para o Texas e dei um tempo na indústria musical. Durante esse período fui capaz de escrever sobre a minha vida cotidiana enquanto trabalhava em período integral e cuidava da minha mãe. Full Circle contém músicas que retratam esse período.

 

UM - O seu disco Runaway Soul é um dos meus favoritos, excelente disco. Tenho a impressão que você estava mais relaxada. Estou errado?

 

RF - Esse álbum foi uma compilação do material que eu já apresentava em shows, portanto, sim, elas já eram antigas e bem naturais para mim. Também foi a primeira vez que eu cantei e gravei com músicos de Austin que, na real, já eram familiarizados com o meu estilo.

 

UM - Você tocou com o Allman Brothers Band em 2012, uma das minhas bandas favoritas. Sua participação em The weight é linda! Depois você entrou em turnê abrindo para o Warren Haynes. Você poderia falar sobre essa experiência dupla?

 

RF - Eu estava em turnê com a minha banda quando recebi o convite para me apresentar em um show com o Allman Brothers, eu não perderia essa oportunidade. Foi parte das apresentações anuais da banda no Beacon Theater em Nova Iorque. Foi a oportunidade de cantar e tocar com artistas que eu sempre admirei, como Joan Osborn, Derek and Susan Tedeski. O Warren Haynes era um desses artistas e me convidou para uma pequena turnê com a banda solo dele na Man in Motion Tour. Eu fiz backing vocals para um disco antigo do Gov't Mule, eu já conhecia o estilo do Warren Haynes.

 

UM - Você também excursionou com Blind Boys from Alabama. Como foi?

 

RF - Excursionar com eles foi uma experiência nova a cada noite. Eles são cantores poderosos no palco e fazem com que o público mova os pés quase sem esforço. Eu tive que melhorar o meu "jogo" no palco diariamente!

 

UM - Eu conheci o seu trabalho através do Papa Mali, quando eu pesquisava a carreira dele como produtor. Ele é um cara bem legal e grande músico. Ele produziu o seu disco The Phenomeal Ruthie Foster. Você poderia falar sobre o disco e sobre o Papa Mali?

 

RF - Papa Mali e eu nos conhecemos através de um brunch gospel em Austin (Texas). Nós realmente queríamos trabalhar juntos e a oportunidade veio com esse álbum. Nós escutamos muita coisa antes de irmos, de fato, para o estúdio. Queríamos ter a certeza da direção do trabalho para a minha voz e a produção em si. Ele estava envolvido e presente em todos os aspectos da gravação, até na pós-produção. Era muito importante para ele que eu estivesse bem representada nesse trabalho. Acho que esse álbum foi a minha introdução na gravação de gêneros como o blues e o soul.  

 

UM - Ainda sobre The Phenomenal, você gravou um dos maiores clássicos do blues, People grinnin 'in your face do Son House. Fico impressionado como você canta facilmente o blues. Por falar em blues, quais os bluesmen que mais te influenciaram?

 

RF - Quando quero escutar os artistas clássicos, gosto bastante do Mississippi Fred McDowell, John Hurt e, às vezes, Lightnin Hopkins. Eu também amo Blind Willie Johnson para um blues com mais feeling gospel.

 

UM - Let it Burn é um álbum bem maduro, talvez pela produção de John Chelew...? O quanto ele te ajudou nesse grande trabalho?

 

RF - John e eu conversamos demais pelo telefone sobre esse álbum e como nós queríamos começar a gravação. Ele me deu uma grande variedade/leque de gêneros/estilos, então fomos selecionando, diminuindo, cortando, à medida que gravávamos. Eu me senti mais "aberta" vocalmente nesse do que em outro disco. Não toquei nenhum instrumento e me senti com maior liberdade vocal. John se apaixonou por Nova Orleans (cidade em que o disco foi gravado) e nunca mais deixou a cidade depois da gravação, diga-se de passagem.

 

UM - Ainda sobre Let it Burn, é recheado de covers bem interessantes. Set fire to the rain (Adele), uma versão quase irreconhecível  de Ring of fire (Johnny Cash), You do not miss your water (William Bell), It makes no difference (The Band/Robbie Robertson), If I had a hammer (Pete Seeger). Você poderia falar sobre a escolha dessas canções e a importância desses músicos na sua vida?

 

RF - Eu pude ir a lugares que nunca tive a chance de ir enquanto tocava ao vivo nesse disco. Uma das maiores alegrias de estar na indústria musical é ensinar através da música. Eis o porquê de eu gravar uma música que as pessoas possam conhecer como um country clássico e rearranjar como algo novo e inesperado, como a minha versão balada de Ring of fire.

 

UM - Você poderia falar sobre o novo disco, Joy Comes Back? Eu realmente escutei War Pigs do Black Sabbath?

 

RF - Joy Comes Back é, realmente, a "musa" do que era a minha vida durante a gravação. Foram quase dois anos para finalizá-lo, pois eu estava em constante turnê, por isso mesmo que não escrevi tanto nesse disco. Mas eu escutei e pesquisei bastante e descobri grandes compositores como Grace Pettis, Sean Staples e Shawnee Kilgore, e também o não tão conhecido Chris Stapleton.

 

UM - Eu também sou do dia 10 de fevereiro, portanto, me identifiquei instantaneamente contigo! Coisa de aquarianos (rs)! Por falar em signos, aquarianos pensam sempre sobre o futuro. Quais são os seus planos futuros? Algum estilo musical ainda não explorado? Alguma parceria nova?

 

RF - Demais! Eu vivo constantemente no futuro! Talvez seja por isso que eu ame filmes de ficção científica! Meu futuro musical não aponta para nenhuma nova direção, mas posso dizer que estou escrevendo novamente e isso me deixa muito feliz.

 

 

 

 

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