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Entrevista Dustin Arbuckle

02.06.2017

  Quando um turista japonês vem ao Brasil fica impressionado com a quantidade de futebolistas, amadores ou profissionais, habilidosos. É um potencial de craque a cada esquina. O fato é quase semelhante quando um latino viaja aos EUA e constata a quantidade de talentos na guitarra, seja rock ou blues, jazz ou o que for. Na gaita também, restrito ao blues mas isso está longe de ser um defeito!

  Dustin Arbuckle é mais um desses jovens que se destacam no país criador desse estilo tão maravilhoso, o blues. Natural do Kansas, Estado marcado por influências diretas do jazz, faz ótima parceria ao lado do guitarrista Aaron Moreland. Uma das revelações mais agradáveis nos últimos anos, a dupla Moreland & Arbuckle iniciou como um duo acústico, porém com o tempo acrescentou uma bateria. E Dustin Arbuckle explica a ausência do baixo, "Quando estávamos começando, tentamos alguns baixistas mas nenhum estava interessado na onda musical que pretendíamos. Eventualmente nos tocamos que eletrificando o que já fazíamos acústico e acrescentando uma bateria poderia ser o melhor caminho para um som diferente".

  A dupla debutou com o excelente Canney Valley Blues (2005), recheado de clássicos como Shake it breake it (Charlie Patton) e Keep your lamp trimmed and burnin' (Blind Willie Johnson), um disco que é um excelente cartão de visitas. Um country blues bem raiz com boas influências e sem pecar por um saudosismo ou estruturas musicais engessadas. Arbuckle comenta, "Canney Valley Blues, nós queríamos que ele representasse aquele som em duo mais vanguarda que fazíamos naquela época. É o retrato perfeito do que fazíamos la atrás, o Mississippi blues". 

  Depois, o duo acrescentou uma bateria e tornou-se uma "dupla de três". O disco 1861 (2008) também tem uma pegada tradicional e é um bom trabalho majoritariamente autoral. O primeiro é melhor, mas o disco é bem honesto. Entretanto a maturidade veio com discos como Just a Dream (2011), que marcou o início da fase blues-rock, e 7 Cities (2013), esse um disco bem produzido e melhor acabado.

   Ano passado, 2016, a banda lançou o primeiro disco ao vivo, Promised Land or Bust, recebeu ótimas críticas e a indicação de melhor disco de rock blues pela Blues Foundation. Moreland & Arbuckle conseguiu transcender o status de (mais uma) revelação e aos poucos consolida-se como realidade, uma brand de respeito na cena blueseira. 

 

Ugo Medeiros - Você é do Kansas, lar do Kansas blues, sub-estilo muito influenciado pelo jazz. Quando mais novo você escutava esse Kansas blues ou um jazz mais puro? Ou você escutava mais bandas de rock clássico como Zeppelin, Hendrix, etc?

 

Dustin Arbuckle - Eu escutei muito rock clássico quando era criança, artistas/bandas como Hendrix, Creedence Clearwater Revival e Beatles, mas não foram essas bandas que me levaram ao blues. Os responsáveis foram as gravações de Mississippi e de Chicago blues que me atraíram desde a primeira vez que os escutei. Naquela época os meus músicos favoritos eram Elmore James,  Howlin' Wolf, Muddy Waters e Sonny Boy Williamson II. Eu saco de jazzy, Kansas blues mais para o Jump blues, mas não posso dizer que fui diretamente influenciado por ele. 

 

UM - Como você conheceu o Moreland?

 

DA - Aaron e eu nos conhecemos em uma noite do microfone aberto, em um clube chamado Roadhouse Blues em Wichita, Kansas. Ele estava tocando delta blues, eu entrei no meio da apresentação. Tocamos naquela jam e ao final da apresentação conversamos um pouco. Depois daquela noite, 2001, não nos vimos por um tempo. Alguns meses depois o Aaron estava produzindo um disco próprio e precisava de um gaitista para algumas faixas. Um amigo nosso da cena local de blues me indicou e toquei no disco. Começamos a tocar em algumas gigs e rapidamente vimos que tínhamos conceitos musicais similares. O resto é história, como dizem.  

 

UM - Gosto bastante do disco Canney Valley Blues, um dos meus favoritos. Esse álbum traz versões de dois bluesmen clássicos: Shake it breake it do Charlie Patton e Keep your lamp trimmed and burnin' do Blind Willie Johnson. Você poderia falar um pouco sobre esses dois caras? Digo, qual a importância deles na sua formação musical?

 

DA - Definitivamente, Charley [N.E.: Tanto Charley como Charlie são corretos, usa-se conforme o gosto e/ou padronização] Patton e Blind Willie Johnson são dois dos nossos artistas favoritos. Ambos nos influenciaram bastante, sobretudo no início quando tocávamos mais country blues. Tenho que dizer, o Charlie Patton me influencia bastante na forma de compor, suas canções sempre tendem a ser muito pessoais. Muitas dessas canções são baseadas em experiências vividas, eu tento seguir por esse caminho também. A intensidade, a paixão e a vibração da música do Blind Willie Johnson nos foi muito importante também.

 

UM - Ainda sobre Canney Valley Blues, escutei Red bricks e viajei pelo tempo! Você acha que essa canção define o som da banda? Você poderia falar um pouco sobre esse primeiro disco?

 

DA - Red Bricks é uma música que realmente nos fez atravessar pelo tempo, é uma das nossas primeiras músicas autorais e ainda tocamos nas apresentações, mas agora de forma elétrica e com bateria. É uma música divertida de tocar. Não sei se ela define o nosso som, mas eu diria que aquele ritmo é um bom exemplo de como conseguimos misturar com bom gosto algumas influências diferentes para criar algo único. Essa mistura pode vir diferentemente, variando de música para música, mas é algo que nós fazemos bem. Pelo menos é o que eu gosto de pensar. Sobre o Canney Valley Blues, nós queríamos que ele representasse aquele som em duo mais vanguarda que fazíamos naquela época. É o retrato perfeito do que fazíamos la atrás, o Mississippi blues. É muito doido, eu vejo o quanto a nossa música mudou desde então.

 

UM - É curioso, a banda não tem baixista. Como isso altera o som da banda? Isso traz novas possibilidades sonoras? Me faz lembrar do John Mayall, que em um ou dois discos gravou sem bateria...

 

DA - Quando estávamos começando, tentamos alguns baixistas mas nenhum estava interessado na onda musical que pretendíamos. Eventualmente nos tocamos que eletrificando o que já fazíamos acústico e acrescentando uma bateria poderia ser o melhor caminho para um som diferente. Como o Aaron tocava sem palheta [finger-picking] e batia nas notas mais graves com o dedão, decidimos fazer umas gigs sem baixista e deu certo. Tem algumas coisas que não podemos fazer sem um baixista, mas, por outro lado, isso nos força a incorporar uma gama mais ampla de influências e sonoridades no nosso som. Não ter um baixo nos ajudou a  se destacar. 

 

UM - Eu li que uma das grandes influências da banda foi o Hound Dog Taylor. É verdade? Por quê?

 

DA - Com certeza, é verdade! Nós dois somos grandes fãs do Hound Dog Taylor. O estilo dele cru e enérgico nos influenciou bastante, e ele também é mais um artista que tocava sem baixista. 

 

UM - É verdade que o Moreland veio da cena punk?

 

DA - Aaron é um grande fã de punk rock, assim como outras coisas mais pesadas como stoner rock e metal. Todos esses estilos influenciaram demais na forma dele tocar. 

 

UM - Just a Dream é o meu álbum favorito! Começa com a pesada The brown bomber e ainda tem uma canção forte como Travel every mile. Eu sinto que é um trabalho mais bem acabado/produzido. Você acredita que esse disco foi um divisor de águas para o Moreland & Arbuckle? Você poderia falar sobre a participação do Steve Cropper?

 

DA - Muito obrigado! Foi um divisor de águas, sim, porque considero o nosso primeiro disco mais rock do que blues ou raiz. A participação do Steve foi bem pontual, mas ainda assim foi uma grande honra ter a presença dele. Ele é amigo do nosso primeiro empresário e quando fazíamos a triagem das músicas que entrariam no disco o Steve nos ofereceu  White lightnin' (canção dele). E ainda disse que tocaria uma parte na guitarra se gravássemos essa canção. Como recusaríamos?! 

 

UM - Os três primeiros álbuns foram auto-produzidos. Você sentiu diferença quando produtores mais experientes chegaram para os discos posteriores?

 

DA - Olha, nós ainda produzimos todos os discos, foi assim até o 7 Cities. Depois começamos a trabalhar com o Matt Bayles, definitivamente isso mudou mudou bastante.

 

UM - Por falar em Matt Bayles, ele já trabalhou com bandas de hard-rock e metal, como Pearl Jam e Mastodon. Como foi trabalhar com ele?

 

DA - Foi uma experiência incrível trabalhar com o Matt. Ele é excelente em te dar a melhor performance possível, mesmo que isso signifique ser um tanto quanto, digamos, durão. Ele também é um excepcional engenheiro e mixer, ele sabe como tirar bons sons e misturá-los perfeitamente. Sinceramente, acho o 7 Cities e Promised Land or Bust os nossos melhores discos. Em grande parte porque o nosso desenvolvimento como músicos e compositores entrou em sintonia com o trabalho de produção do Matt.

 

UM - Parabéns pela indicação de Promised Land or Bust ao melhor disco de rock blues  pela Blues Foundation! De fato, um grande álbum. Você poderia falar um pouco sobre o disco?

 

DA - Muito obrigado! Ficamos muito orgulhosos pela indicação. Honestamente, acho o nosso melhor disco. As músicas que estão no disco são as melhores que já escrevemos. Eu também acho que representa todo o "arsenal"  do que podemos fazer musicalmente melhor do que qualquer outro álbum que fizemos. Me sinto muito orgulhoso por isso!

 

 

 

 

 

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