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Entrevista Carl Palmer

13.02.2018

   Carl Palmer é um monstro. Desculpem esse editor nota cinco, não havia outra opção para o texto de abertura, mas às vezes o óbvio precisa ser dito. O cara foi eleito pela Rolling Stone Maganize como um dos dez maiores bateristas de todos os tempos, fundou bandas como Atomic Rooster, o fantástico Emerson, Lake & Palmer, o supergrupo do rock, o Asia, e já vendeu mais de cinquenta milhões de discos ao longo da carreira. Atualmente está em turnê mundial com Carls Palmer's ELP Legacy - EMERSON LAKE & PALMER LIVES ON, uma releitura inusitada da inovadora banda do progressivo inglês. "Não estragarei todas as surpresas, mas será uma noite repleta de música do ELP, incluindo vídeos em cada canção. Sem teclados! Apenas eu junto com um guitarrista e um baixista. Retiramos o teclado e reinventamos para um power trio com guitarra", explica.  

   O baterista desconstruiu o estilo trivial no seu instrumento e deu luz a uma escola com influências do jazz, da música clássica e até do Heavy Metal. Escutem o conceitual Tarkus ou Brain Salad Surgery e entenderão o rolo compressor que era o Emerson, Lake & Palmer. "A banda não queria ficar presa, fazendo um gênero de música. Nós tínhamos hits nas rádios, mas também tínhamos uma peça progressiva de vinte minutos como Tarkus. Nós tocávamos rock, jazz, folk, clássico, e isso tudo funcionou por causa da química da banda", diz o inglês natural de Birmingham.

   Esse baterista insano, que passará pelo Brasil em maio, ainda contou sobre o Atomic Rooster, o tempo com Arthur Brown e as influências da música clássica através de sua família. Se alguns leitores pediam por mais entrevistas de rock e já estavam cansados dos estudos étnicomusicais, eis uma em que o músico foi responsável pela fritação de boa parte dos neurônios desse jornalista fajuto e pesquisador complexado. Carl Palmer é uma lenda viva, escutem minuciosamente toda a sua carreira e, de preferência, não percam suas apresentações cá nos trópicos.  

 

Ugo Medeiros - Você veio de uma família musical, seu avô era baterista, sua avó era violinista e seus pais eram músicos e cantores. Toda essa tradição é visível ao longo da sua carreira porque, em diferentes bandas, você tocou hard rock, algumas coisas de heavy metal, progressivo sinfônico com claras influências de música clássica, um jazz com aquela bateria nervosa do Buddy Rich e do Gene Krupa. Você poderia falar sobre essas influências durante a sua infância em Birmingham? É verdade que você começou tocando violino? 

 

Carl Palmer - Sim, comecei no violino, mas não fui muito bem. Meu pai me levou para ver o filme Gene Krupa Story (de 1959), também conhecido como Drum Crazy. Vi aquilo e fiquei maluco, soube ali que eu me tornaria um baterista. Comecei aos dez anos, tinha muitas lições e trabalhos em orquestras de dança. Lá pelos meus dezesseis anos, larguei a escola e fui me aventurar em Londres para me tornar um baterista profissional. 

 

UM – Você tocou na banda Chris Farlowe and The Thunderbirds. A banda era produzida por Sir Mick Jagger! O single My way of giving tinha muito de R&B, soul e rock. Você poderia falar sobre a banda? Como era a relação com Jagger, era uma amizade ou algo estritamente profissional?

 

CP - Ele estava por perto quando gravamos Out of time, ele e Keith Richards a escreveram. Eu não cheguei a conhecê-lo, e ainda hoje não o conheço bem. O Chris era o melhor vocalista branco de R&B em toda a Europa, merecia uma carreira maior. Tocar com ele era como se fosse o Ray Charles, grande voz. Recentemente apareci com ele em Londres durante um evento de caridade organizado pelo Roger Daltrey. 

 

UM – Você tocou com o Arthur Brown [N.E: E esse editor limítrofe escreveu por duas vezes, sabe-se lá o porquê, Arthur LEE! Que papelão!], um músico único, um cara bem peculiar. Muito é debatido sobre quem foi o primeiro a pintar os rostos, Kiss ou Secos & Molhados. Tenho uma certeza, o primeiro foi Arthur Brown. Aquilo era um "circo do rock", anárquico, com uma ideias esquizofrênicas, era fantástico! Como você chegou até o Arthur Brown? Como foi aquela experiência? 

 

CP - Você se enganou, não foi o Arthur Lee, trabalhei no The Crazy World of Arthur Brown [N.E: bola fora de minha parte!]. Tínhamos o hit #1, Fire, na Europa, Reino Unido e EUA. É bem provável que eu trabalhe com ele em breve, esse ano será o aniversário de cinquenta anos  da canção. Ele começou com a coisa teatral no rock, sem Arthur Brown não haveria Alice Cooper ou Kiss. 

 

UM – Depois do Arthur Brown [N.E: E novamente escrevi Arthur LEE! Resta baixar a cabeça e escutar gaita por uma semana como castigo!], em 1970, você formou, ao lado do Vincent Crane, o Atomic Rooster. Era uma banda de hard rock com aquela atmosfera psicodélica inglesa. Você gravou apenas o primeiro álbum, mas na canção Decline and fall você mostrou suas credenciais!

 

CP - Brown... Não Lee. Ele entrou para uma comunidade hippie durante a turnê americana e largou o negócio durante um tempo. Vincent Crane e eu formamos o Atomic Rooster, eu estava feliz e planejava permanecer, mas aí Keith Emerson e Greg Lake me chamaram. Assim que eu saí a banda alcançou o #1. Cheguei a pensar se não cometera um grande erro, mas OK, o ELP foi grandioso.

 

UM – Como o Emerson, Lake & Palmer nasceu? Você estava no Atomic Rooster, Keith Emerson no Nice e Greg Lake com o King Crimson. Quem teve a ideia de formar a banda? O primeiro disco do ELP trouxe tantas ideias novas, originais! A bateria na faixa Tank é incrível! Vocês três tiveram uma química instantânea, mágica...

 

CP - Isso já foi muito documentado. Keith e Greg me conheceram quando o King Crimson excursionou com o Nice. Eles fizeram audições com diversos bateristas, como Mitch Mitchell do Jimi Hendrix Experience, mas no final gostaram do que eu oferecia à banda.

 

UMTarkus, cara, que disco! Um disco conceitual em que as faixas parecem continuações naturais uma das outras, como uma grande peça cíclica. Bitches crystal soa como heavy metal e Jeremy Bender lembra aquelas antigas canções de honky tonky. A time and a place é insana! Você considera Tarkus como um marco na carreira do ELP?

 

CP - Sim, porque foi um dos primeiros discos de progressivo, de fato. Um trabalho muito pessoal [N.E: signatures], único, em relação ao tempo; um disco conceitual; ótimas canções e uma relação musical muito forte. Sabíamos que aquilo nos daria destaque, e foi o que aconteceu.  

 

UM – Como surgiu a ideia de fazer uma adaptação de Modest Mussorgsky em Pictures at an exhibition?

 

CP - Keith e eu escutávamos e tocávamos essa peça desde pequenos, minha família tocava aquela gravação. Ambos queríamos uma versão rock, fizemos no ELP. Ainda a toco com a minha banda, Carl Palmer's ELP Legacy.

 

UM - Eu entrevistei Billy Cobham e ele me disse algo interessante. A intelligentsia gosta de padrões complexos, enquanto que a massa prefere algo mais simples (1/2/3/4  1/2/3/4...). Tarkus derretia os neurônios! Já Trilogy era mais, digamos, acessível. Fez muito sucesso, sobretudo From the beginning...

 

CP - Sim, podemos dizer isso.

 

UM - Seguindo essa linha de complexidade/simplicidade, como se dá a relação entre o popular e o clássico? Digo, vocês sempre transitaram entre o rock (popular) e a música clássica (erudito). Essa relação pede um equilíbrio ou há uma barreira entre as duas escolas?

 

CP - A banda não queria ficar presa, fazendo um gênero de música. Nós tínhamos hits nas rádios, mas também tínhamos uma peça progressiva de vinte minutos como Tarkus. Nós tocávamos rock, jazz, folk, clássico, e isso tudo funcionou por causa da química da banda. Aquelas gravações ainda funcionam hoje em dia.

 

UM – Ao final do período clássico da banda a relação entre Emerson e Lake estava bem desgastada. Qual era o seu papel naquela tensão? Você também estava estressado com todas aquelas obrigações da banda ou você ficava no meio, como um pacificador, tentando aliviar aquela pressão?

 

CP - Sim, eu era o pacificador, mas nós discutíamos apenas sobre música, era mais sobre o direcionamento da banda. Não brigamos por dinheiro ou ego como muitos grupos. A tensão na banda melhorava a música, essa é a verdade.

 

UMBrain Salad Surgery é desconcertante (no melhor sentido possível!), vocês fazem uma versão de Toccata de Alberto Ginastera que é fenomenal! Mas eu gostaria de perguntar sobre Works Vl.1, disco em que cada um ficou responsável por um lado do disco. Na sua parte você incluiu citações a Bach e Prokofiev, além de tocar com Joe Walsh. Você poderia falar sobre essas escolhas? Foi uma forma de diminuir os conflitos pela liderança criativa dentro da banda? 

 

CP - Não, o que quebrou a banda, de uma forma bem global, foi o Brain Salad Surgery, disco o qual todos nós consideramos o melhor. Depois do disco, demos um tempo durante dois anos e voltamos com o Works Vl1. Todos queriam fazer discos solo, daí a ideia de três lados solo e um pelo ELP, foi um conceito único. Usei como oportunidade para tocar uma música diferente a do ELP. Joe Walsh era um amigo e ele se ofereceu para tocar em algumas coisas.  

 

UM - Emerson, Lake & Palmer, Pink Floyd, Yes, Gentle Giant, cada uma dessas bandas criou um progressivo à sua forma, com seu próprio toque. Mas logo depois o termo "progressivo" teve denotação negativa, algo chato. Você acha que houve um exagero ou a coisa ter um estilo rotulado trouxe naturalmente um desgaste?

 

CP - Nós tocávamos rock progressivo. Era chamado de progressivo porque abrangia diversos estilos, muito formatos e diferentes níveis musicais. O termo nunca me chateou.

 

UM – Eu li que o disco Love Beach não teve lá tanto, digamos, entusiasmo da banda porque foi uma obrigação contratual. Isso procede?

 

CP - Sim, o fizemos porque devíamos um disco à gravadora. Estávamos exaustos, queríamos dar um tempo mas tivemos esse compromisso. Alguma coisa, como Cannario, saiu legal. Muita gente gostou do disco, me incluo, mas detesto a capa.

 

UM – Poderia falar como o Asia foi formado? Um supergrupo, também progressivo, mas com uma pegada um pouco mais pop...

 

CP - John Kalodner, da Geffen Records, estava impaciente com John Wetton, do King Crimson e Rocy Music. Foi decidido que um supergrupo seria formado, então chamaram a mim e ao Steve Howe, tanto o Yes como o ELP tinham dado uma parada. Originalmente o Rick Wakeman viria para os teclados, mas ele acabou desistindo. Tivemos a sorte de pegar o Geoff Downes.  

 

UM – Você está em turnê com a Carls Palmer's ELP Legacy - EMERSON LAKE & PALMER LIVES ON! Em maio passará pelo Brasil e se apresentará no Rio de Janeiro. Como é o formato do show? Quantos músicos? Você fará um apanhado por toda a carreira do ELP (incluindo os discos do retorno, como Black Moon) ou concentrará apenas na fase clássica?

 

CP - Sim, será em Maio. Não estragarei todas as surpresas, mas será uma noite repleta de música do ELP, incluindo vídeos em cada canção. Sem teclados! Apenas eu junto com um guitarrista e um baixista. Retiramos o teclado e reinventamos para um power trio com guitarra. Você nunca escutou algo assim, tem que conferir!

 

 

 

 

 

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