Entrevista Walter Parks


Um coroa de barba branca espichada, um estilo típico dos pântanos sulistas, amante de southern rock mas sem esquecer o folk. Natural de jacksonville, terra natal do Lynyrd Skynyrd, Walter Parks fez sucesso no duo folk The Nudes, que lançou três bons discos, e liderou a banda de blues-rock Swamp Cabbage. Segundo Walter, apesar do amor pelo folk, faltava algo em sua música. "(...) Eu amo o folk sulista dos Apalaches, aquela música que veio da Irlanda, Inglaterra e Escócia. Entretanto, eu ansiava por mais "sujeira" elétrica, coisas amplificadas. O Swamp Cabbage é a minha forma de explorar o redneck que eu poderia ter me tornado", explicou.

Atualmente o músico está em turnê solo, em sessões mais intimistas, apresentando e revivendo a tradição dos hollers. "No meio da floresta, bem antes dos telefones ou da comunicação digital, hollers eram usados como um meio de comunicação bem prático. Por exemplo, um caçador ou viajante teria seu próprio/único holler [N.E: algo como um suspiro] que ele soaria enquanto se aproximasse de uma casa a uma distância, muito antes de poder vê-la", elucidou. Ele Também contou sobre o verão que passou em um templo budista na França e a participação em um disco de tributo a JJ Cale.

Entretanto, uma de suas estórias mais impressionantes envolve o inigualável guitarrista Duane Allman, morto precocemente em um acidente de moto em 1971. Ainda durante a faculdade, teve a honra de tocar o instrumento do eterno líder da Allman Brothers Band. "Um empresário que cuidava da turnê de uma popular banda de improvisos, The Dixie Dregs, levava consigo a guitarra. A "burst" era incomumente mais leve do que as Les Pauls feitas naquela época (1977) e tinha um sustain agradável e mágico. Acredito que as melhores guitarras tocam por si mesmas. Com isso quero dizer que um instrumento especial te trará novas ideias".

Walter parks é um cara extremamente inteligente e um músico bem talentoso. Sua discografia é interessante, o ouvinte não se arrependerá. Ele sintetiza como poucos a tradição musical da costa leste americana.

Ugo Medeiros - Você é nascido e criado em Jacksonville, Florida, cidade do Lynyrd Skynyrd. Imagino que todo jovem roqueiro dos anos 1970/80 teve o Lynyrd como a maior referência musical, certo? Eles foram a sua maior influência ou você preferia outras bandas ou estilos?


Walter Parks - Todos esperavam o lançamento do primeiro disco do Lynyrd e os fãs de música da minha cidade torciam pelo sucesso deles. Naquela época, a banda preencheu Jacksonville com um sentimento de orgulho e eles se tornaram, não oficialmente, os embaixadores da cidade. Entretanto, eu fui mais inspirado pelo Allman Brothers Band devido ao lance da improvisação.


UM – The Nudes era um duo, ao lado de Stephanie Winters. Era um tipo de folk bem peculiar, diferente. O primeiro álbum, The Nudes (1993), trouxe algumas canções bem bonitas, como Tango in love e Early in morning. Também algo com uma pitada de psicodélico em Hope and waiting. Poderia falar sobre o duo e o álbum de estreia?


WP - Eu batizei a banda com The Nudes para criar uma metáfora, algo como despojado e simples. Naquele tempo eu tinha perdido o encanto em liderar uma banda de rock. Por motivos financeiros e logísticos, é bem difícil manter uma banda de rock em Nova Iorque. Eu simplesmente queria tentar algo acústico e, ao mesmo tempo, potente. Por isso o cello foi o instrumento escolhido para complementar a minha voz e o meu violão. Tenho muito orgulho da música que escrevi nos três discos do The Nudes. Eu queria que as letras fossem menos vagas. Sinceramente, concluí que é bem mais fácil escrever de forma inteligente, artística e ambígua do que escrever poeticamente com uma linguagem mais simples.


UMBoomerang foi o terceiro e último álbum do The Nudes. Tinha uma influência de JJ Cale em Concentrate, algo de Lou Reed em House of love. Havia um cello bem legal no disco...


WP - Acho Boomerang o melhor disco do The Nudes, infelizmente foi o nosso último. Durante o processo de gravação não pensei nessas duas influências que você mencionou, mas entendo a comparação. Como esses artistas são duas influências muito respeitadas, aceitarei sua interpretação como um elogio, obrigado. Quando o disco foi gravado eu vivia em Williamsburg Brooklynm, isso foi muito antes do bairro se tornar o epicentro do hipster que é agora. As músicas tratam e refletem algo que observei naquela época, uma mudança no poder percebido que os jovens sentiam que tinham. Uma outra palavra para isso é DIREITO. Parecia que o desrespeito para com os mais velhos estava emergindo. Eu acredito que, a longo prazo, uma sociedade não cresce eficientemente quando pessoas mais velhas não são convidadas a participar das mudanças. Sociedades, países, culturas, bairros, todos "reinventam a roda" a menos que os mais velhos sejam consultados para fornecer os atalhos. Jovens americanos e, possivelmente, outros no mundo, tendem a desconsiderar as pessoas mais velhas porque não acompanham os meios, por exemplo tecnologia - celulares, internet, etc. Esquecemos que a "mensagem", que significa o ato de se comunicar, é atemporal. É apenas o meio de comunicação que muda. Williamsburg era principalmente habitada por poloneses e presumo que essas pessoas ou seus pais imigraram durante a Segunda Guerra Mundial. Eles possuíam os valores do velho mundo de manter seus bairros limpos, ainda que bregas, e todos se importavam apenas com suas vidas. Me entristecia ver jovens, crianças, sujando o bairro. Felizmente, tenho uma fé renovada nos jovens que conheço hoje em dia, os jovens hoje parecem ter um grau saudável de humildade sobre eles. Eles não têm o reflexo de desrespeitar inicialmente as pessoas mais velhas. Adoro tocar para um público de jovens. Eu chego ao palco com minha longa barba branca e a vibração do público é tipo "OK, queremos ouvir o que você veio compartilhar", em vez de "Quem é esse velho e o que ele poderia saber?". Essa mentalidade aberta é um crédito para a geração mais nova. Quando digo aos jovens que eu vi o Led Zeppelin, a declaração suscita respeito, não que eu esteja tentando ganhar respeito. Mas meu ponto é, quando eu era criança, eu não me importava com a música que meus pais estavam ouvindo.


UM – Como foi a transição de um duo folk para uma banda de rock como Swamp Cabbage? Swamp Cabbage é muito bom! Sua voz rouca cria um clima mais dark. Acho bacana, é um southern rock sem aqueles excessos de guitarra...


WP - Primeiramente, sou um artista. Para mim, o negócio está subordinado à arte. The Nudes estava indo bem financeiramente após oito anos excursionando e éramos os favoritos do editor da Billboard, Timothy White. O folk, gênero do The Nudes, é voltado "dos ombros para cima", ou seja, é uma forma mais intelectual. No sul dos EUA, da onde eu venho, precisamos da música para nos afastar das tristezas do coração. Gosto de aumentar o volume e criar uma pulsação. Me cansei daquela coisa limitada, limpa, da música folk e acústica proveniente da tradição da Nova Inglaterra. Dito isso, eu amo o folk sulista dos Apalaches, aquela música que veio da Irlanda, Inglaterra e Escócia. Entretanto, eu ansiava por mais "sujeira" elétrica, coisas amplificadas. O Swamp Cabbage é a minha forma de explorar o redneck que eu poderia ter me tornado. "Redneck", nos EUA, é uma gíria usada para descrever uma pessoa do interior bem grotesca e politicamente conservadora, um arquétipo do sulista americano. Ser chamado de redneck é uma credencial honrosa para muitas pessoas.


UM – Como você define o estilo do Swamp Cabbage?


WP - Sob o ponto de vista lírico, Swamp Cabbage é um folk elétrico sulista, mas soa como um blues-rock que aproveita a liberdade do jazz.


UM – Você ficou em um templo budista na França? Como isso te ajudou, digo, na sua vida?


WP - Eu fiquei durante um verão em Plum Village, perto de Bordeaux. Já faz quase vinte anos desde que eu estive lá. Queria ver o que restaria de mim se eu me submetesse ao regime de vida dos outros e não falasse a ninguém que eu era músico. Eu aprendi que a música era algo integral na minha relação com o mundo. Eu deixei de achar a música ruim e a abracei como o personagem principal na minha vida.


UM – É verdade que você tocou com guitarra do Duane Allman, uma Gibosn Les Paul Sunburst de 1959?


WP - Sim, eu era um estudante na Univerdidade da Georgia em Athens. Um empresário que cuidava da turnê de uma popular banda de improvisos, The Dixie Dregs, levava consigo a guitarra. A "burst" era incomumente mais leve do que as Les Pauls feitas naquela época (1977) e tinha um sustain agradável e mágico. Acredito que as melhores guitarras tocam por si mesmas. Com isso quero dizer que um instrumento especial te trará novas ideias. A guitarra especial te presenteará com uma mudança sutil na forma de tocar, um estilo que você não tinha antes. Permitir que eu tocasse aquela peça mágica da história da música por vinte minutos foi um bônus que recebi por ajudar o empresário, Twiggs Lyndon, a descarregar um equipamento bem difícil. Os outros estudantes não tinham interesse em ficar até o fim dos shows e realizar o amargo trabalho de carregar os equipamentos. Eu sempre ajudei e aprendi demais ao ficar com os roadies.


UM - O primeiro disco do Swamp Cabbage, Honk, é muito bom! More booty with Buddha e Silver meteor são canções excelentes! Poderia falar sobre o álbum?


WP - Siver meteor é, na verdade, um bluegrass elétrico instrumental, inspirado na forma de tocar o fiddle, que veio daquela música folk irlandesa, inglesa e escocesa. Tem o que nós chamamos nos EUA de batida country. Imagino uma viagem quando ouço essa música, um trem de passageiros que parte diariamente de Nova York para Miami.

More booty with Buddha veio de uma estória real. Primeiramente você deve entender que nos EUA a palavra "booty" é uma gíria para corpo [N.E: body], mais especificamente quando um certo aspecto na parte de trás do corpo de uma mulher é especialmente volumoso. Quando eu deixei o templo, depois de um verão de tranquilidade, o trem me deixou perto bem no coração de uma área em Paris chamada Pigalle, onde lindas francesas falavam comigo aparentemente sem nenhuma razão. Meu primeiro pensamento foi que aquele verão de meditação havia criado um efeito magnetizante, estava ansioso para testá-lo em Nova Iorque. Infelizmente, depois alguns quarteirões, percebi que eu recebia ofertas de prostituas e, claro, fui exposto pela fraqueza do meu ego! Essa tragicomédia inspirou o título, mas a estória da canção em si é diferente. Em um domingo um cara dirigindo a uma igreja cristã, como muitos estão nos EUA. Ao longo do caminho, ele para o carro e dá uma carona para uma jovem bela hippie. Ela o atrai para a sua casa isolada, toda adornada com estátuas de Buddha, eles fumam maconha e, provavelmente, fazem sexo. Assim sendo, ao retomar o caminho para a igreja, percebe que a sua dedicação espiritual foi subordinada às necessidades carnais. Típico de muitas das minhas canções no Swamp Cabbage, o enredo é um absurdo e destinado a ser cômico.


UM – O Swamp Cabbage participou de um disco de tributo a JJ Cale. O quanto a música dele te influenciou?


WP - Uma das primeiras canções de rock que me atraiu foi Crazy mama, sobretudo pelo som da guitarra e o wah-wah. A letra era "inconsequente" para mim naquela época. A gravadora não nos permitiu fazer um cover de Crazy mama, talvez alguma outra banda tivesse pedido primeiro.


UM – O último disco do Swamp Cabbage, Jive, também é bem legal. Poderia falar sobre o disco?


WP - Jive é, liricamente, o meu trabalho mais forte. Algumas canções têm estórias de experiências reais nas quais passamos durante a turnê na Espanha. White gold é sobre a indústria de camarão no estado da Louisiana, onde desemboca o rio Mississippi. Cash é dedicada aos músicos que tiram seus sustentos tocando em festa privadas e casamentos, fiz isso por anos antes de me mudar para Nova Iorque, quando morava na Florida.


UM – Você tocou na banda do Richie Havens. Como foi essa experiência?


WP - Seria necessário um livro para compartilhar as minhas aventuras com ele. Comecei a registrar algumas dessas estórias há alguns anos, um livro pode ser lançado algum dia. Toquei com o Richie por quase dez anos como o seu último sideman. Ele era, claro, uma presença inspiradora e um embaixador da paz, do respeito e da tolerância entre todas as pessoas do mundo. Foi um humilde desafio estar com ele porque era como viajar com o Papa. Ele possuía e compartilhava uma invejável pureza. Ele era muito generoso, dava seu tempo, às vezes dinheiro, a estranhos que necessitavam de uma conversa ou de ajuda. Claro que eu aprendi demais com ele, mas quase sempre ao observá-lo, não era do seu estilo dar conselhos diretos, professorais. Acho que ele percebeu que, confiando no âmbito superior das coisas, as pessoas encontrariam seus caminhos.


UM – Você tem um projeto mais puxado para o jazz, Walter Parks & The Golden Honey Blade, certo?


WP - Golden Honey Blade é um trio composto por grandes músicos que, como eu, também vivem em Jersey City, atravessando o rio de Manhattan.


UM – Eu li algo bem interessante em seu site, "As principais influências de Walter Parks: Jaco Pastorius, John Scofield e Daniel Lanois". Sinceramente, eu nunca teria adivinhado...


WP - Eu não tinha o relacionamento correto com a guitarra até assistir ao Daniel Lanois tocando o instrumento. O The Nudes abriu para em alguns dos seus shows na Nova Inglaterra durante a sua turnê de 1993, For The Beauty of Wynonna. Ele generosamente compartilhou seus pensamentos sobre meus pontos fortes e fracos daquela época. Daniel cria beleza através da simplicidade bruta. Isso me guiou no meu trabalho solo, e ainda tenho muito a gravar. Eu sempre me liguei na perspectiva harmônica de John Scofield. Tanto John como Daniel apreciam o uso de tocar notas a meio-tom de distância uma das outras, tanto em acordes quanto em solos. Para alguns ouvidos, isso pode parecer dissonante, mas isso me agrada.


UM – Você está em turnê solo. Em uma das apresentações você cantou um "holler". O que é "holler"? Poderia falar sobre esse projeto solo?


WP - No meio da floresta, bem antes dos telefones ou da comunicação digital, hollers eram usados como um meio de comunicação bem prático. Por exemplo, um caçador ou viajante teria seu próprio/único holler [N.E: algo como um suspiro] que ele soaria enquanto se aproximasse de uma casa a uma distância, muito antes de poder vê-la. Se você se aproximasse de uma casa sem aviso prévio, isso poderia ser muito perigoso, já que a maioria das pessoas em áreas remotas estava e ainda está armada. Havia também diferentes hollers para diferentes funções. Um certo holler indicaria um retorno seguro sem necessidade de ajuda. Outro holler pode sinalizar "Eu consegui a caça e poderia usar alguma ajuda para trazer a caça". Algumas pessoas que viviam no Okefinokee swamp ainda estão vivas. Mas aqueles poucos sobreviventes com quem falo, parecem perplexos quando eu executo estes hollers em uma apresentação. Eles acham estranho que um meio de comunicação tão prático possa ser transformado em entretenimento. Ao meu ouvido, em sua forma bruta das gravações do arquivo da Smithsonian Library, as melodias dos hollers soam bonitas, assustadoras e como uma ópera. Então é dessa perspectiva que as arrumei para o meu novo show Swamp By Chandelier.





ENGLISH VERSION:


Ugo Medeiros - You’re born and raised in Jacksonville, Florida, Lynyrd Skynyrd’s city. I presume every young rocker from Florida during the '70s and' 80s had Lynyrd as the greatest musical reference, right? Were they your biggest musical reference or did you prefer other bands / styles?


Walter Parks - Everybody awaited Skynyrd’s first record release and music fans in my hometown really wanted them to succeed. At the time, the band infused Jacksonville with a sense of pride and they served, unofficially of course, as ambassadors for the city. However, I was more inspired by The Allman Brothers because of their improvisational nature.


UM – The Nudes was a Duo with Stephanie Winters. It was a different/unique kind of folk music. The first álbum (The Nudes, 1993) brought some beautful songs, like Tango in love and Early in the morning. And also some of psychedelic on Hope and Waiting. Could you talk about The Nudes itself and about the álbum?


WP - I named the band The Nudes to create a metaphor for “stripped down” and simple. At the time I was disenchanted with leading a rock band. For financial and logistical reasons it’s especially difficult to maintain a rock band in New York City. I simply wanted to try something acoustic yet powerful, hence the cello was chosen as the instrument to complement my voice and my guitar. I’m very proud of the music that I wrote for The Nudes’ three recordings. I wish the lyrics had been less vague. Frankly, I’ve come to believe that it’s much easier to write clever, arty and ambiguously that to write poetically in “plain language”.


UMBoomerang was the third and last The Nudes álbum. There was some JJ Cale on Concentrate, some Lou Reed on House of Love. There was a cool cello on that record. Could you talk about it?


WP - I think Boomerang was The Nudes’ best record and sadly it was our last. During the implementation of that recording I was not thinking of the two influences that you mentioned but I understand your comparison. Because those are respected influences I take your interpretation as a compliment. Thank you. When the recording was made I was living In Williamsburg Brooklyn. This was long before that neighborhood became the hipster epicenter that it is now. Boomerang’s themes reflect that at the time I observed a shift in the perceived power that young people felt they had. Another word for it is entitlement. It seemed that disrespect for older people was rising. I believe that in the long run, society does not efficiently grow when older people are not invited to play a part in its changes. Societies, countries, cultures, neighborhoods all “reinvent the wheel” unless old people are consulted to provide short-cuts. Young Americans, and possibly others in the world, tend to disregard older people because they do not keep pace with mediums, for instance technology – cell phones, the internet etc. But we forget that “message” meaning the act of communicating is timeless. It’s only the means of communication that changes. Williamsburg was mostly Polish and I presume these folks or their parents had immigrated during World War II. They possessed the old world values of keeping their neighborhood clean, yet unfancy, and everybody minded their own business. It saddened me to see young kids trashing the neighborhood. Fortunately, I have a renewed faith in the young people whom I meet these days. Young people today seem to have a healthy degree of humility about them. They do not have the reflex to initially disrespect older people. I love playing for younger audiences. I stand up on stage with my long white beard and the audience vibe is “OK we want to hear what you’ve come to share” instead of “Who’s this old guy and what could he possibly know?”. This open mindedness is a credit to the younger generation. When I tell young people that I saw Led Zeppelin, the statement elicits respect, not that I’m trying to earn respect. But my point is, when I was a kid, I did not care at all about the music that my parents were listening to.


UM – How was the transition from a folk duo to a rock band, like Swamp Cabbage? Man, Swamp Cabbage is great! His hoarse voice makes it a darker mood, at the same time a southern rock without the excesses of guitar…


WP - I am an artist first. For me business is subordinate to art. The Nudes were doing well financially after 8 years of touring and we were favorites of Billboard editor Timothy White. Folk music, the genre in which The Nudes were, is aimed at the shoulders and up, meaning the form is more intellectual. Down south in the U.S. where I’m from, we need our music to move us from the heart on down. I like to turn up the volume and create pulse. I grew tired of the earnestness of folk and acoustic music that stemmed from the New England tradition. That said, I love the Southern U.S. Appalachian folk music form that comes from Ireland, England and Scotland. However, I yearned for a more gritty electric, amplified feel. Swamp Cabbage is my personal exploration of the red-neck I could have turned out to be. “Red-neck” in the U.S. is a slang term that is used to describe an unpolished country person who’s politically conservative and is archetypically from the U.S. south. Being called a redneck is a badge of honor to many folks.


UM – How can you define the Swamp music style?


WP - Lyrically Swamp Cabbage is electric folk music from the U.S. south but it sounds like blues-rock music that enjoys the freedom of jazz.


UM – Did you stay in a budhist temple in France? How this helped you, I mean on your life?


WP - I stayed a summer at Plum Village near Bordeaux in France. It’s been nearly 20 years since I was there. I wanted to see what was left of me if I surrendered myself to the regime of others and if I told no one that I was a musician. I learned that music was integral to my relationship to the world. I left missing music terribly and embracing music as the main role of my life.


UM – Is that true, you played on Duane Allman’s 1959 Sunburst Gibson Les Paul?


WP - Yes. I was a college student at The University of Georgia in Athens. A road manager for a popular improvisational band named The Dixie Dregs was carrying the guitar around with him. The “burst” was unusually light compared to Les Pauls being made at the time (1977) and had an enjoyable and magical sustain. I believe that the best guitars play themselves. By this I mean that a special instrument will bring you new ideas. The special guitar will gift you with a subtle change of playing style that you did not have previously. Allowing me 20 minutes to play that magical piece of music history was a bonus I received for helping the manager Twiggs Lyndon with a very difficult equipment load-out. No other students were willing to stay to the bitter end and load band gear. I always helped out and learned so much by bonding with the roadies.


UM - Swamp Cabbage’s first álbum (Honk) is GREAT! More Booty with Buddha and Silver Meteor are excellent songs! Could you talk about the álbum?


WP - Silver Meteor is really an electric bluegrass instrumental song. It is inspired by Appalachian style fiddle playing, which came from the folk music of Ireland, England and Scotland. It has what we call in the U.S. a country beat. Because I imagine travelling when I hear this music I named it after a passenger train that departs daily from New York to Miami.

More Booty With Buddha came from a true story. First off you must know that in the U.S. the word “booty” is slang for “body” but more specifically when a certain aspect on the back side of a woman’s body is especially voluminous. I went to the monastery in France to delve deeper into the concept of “ego” or self-awareness. When I left the monastery, after a summer of tranquility, my train dropped me near the heart of an area in Paris called Pigalle where gorgeous French women would speak to me, seemly for no reason. My first thought was that the summer of meditation in the monastery had created this magnetizing effect and I couldn’t wait to test it out in New York. Sadly, after a few blocks I realized that I was being propositioned by prostitutes which of course exposed the weakness of my ego! The humorous mistake inspired the song name but the storyline of the song itself is different from its inspiration source. On a Sunday a man is driving to a Christian church, which most are in the U.S. Along the way he stops to give a ride to a beautiful young hippie woman who lures him to her isolated home that is adorned with statues of Buddha. They smoke pot and it is assumed that sex ensues. Therefore this man, on his way to church realizes that his spirital dedication becomes subordinate to his carnal needs. Typical of many of my Swamp Cabbage songs the plot is absurd and meant to be comedic.


UM – Swamp Cabbage participated on a JJ Cale tribute álbum. How much JJ Cale influenced you?


WP - One of the first rock songs that caught my attention was Crazy mama mostly because of the sound of the guitar and the wah-wah. Lyrics were inconsequential to me at that time. The record label for that compilation wouldn’t let us cover Crazy mama. Perhaps another band on the compilation claimed it first.


UM – Swamp Cabbage last álbum, Jive is also a very good. Could you talk about it?


WP - Jive is my strongest work lyrically. A few of the songs’ stories came from real experiences that we had while touring Spain. White Gold is about the shrimping industry in the state of Louisianna where the mouth of The Mississippi River is. Cash is dedicated to musicians who make their living playing private parties and weddings. I did that for years when I lived in Florida before moving to New York.


UM – You played on Richie Havens band. How was the experience?


WP - It would take a book to share my adventures with him. I started compiling stories a few years ago. Someday such a book may be released. I played with Richie for nearly ten years, serving as his last full-time sideman. Richie Havens was of course an inspiring presence and an ambassador for peace, respect and tolerance amongst all the world’s people. To this degree it was a humbling challenge to be with him because he was like traveling with The Pope. He possessed and shared an enviable clarity. He generously gave his time and sometimes money to strangers in need of a chat or a little help. Of course I learned from him but mostly from observation because it was not his style to directly give advice. I think out of trust in the grand sceme of things he figured people would find their way. I don’t know if the world will ever hear a voice so robust, so unusually melding rasp and beauty.


UM – You have a jazz Project called Walter Parks & The Golden Honey Blade…


WP - Golden Honey Blade is a trio of world-class players who like me, also live in Jersey City across the river from Manhattan.


UM – I read something interesting on your site “Parks’ primary influences: Jaco Pastorius, John Scofield and Daniel Lanois”. honestly, I would never have guessed…


WP - I didn’t have the right relationship to the guitar until I watched Daniel Lanois play his instrument. My group The Nudes was the support act for a few of his New England concerts in 1993 on his For The Beauty of Wynonna tour. He generously shared his thoughts regarding my strengths and weakness as they were at the time. Daniel creates beauty via the medium of raw simplicity. This aesthetic has guided me through my solo work which I have much more yet to record. I’ve always related to John Scofield’s harmonic perspective. Both John and Daniel enjoy the use of playing notes a half-step a way from each other either in chords or in solos. To some ears this can seem dissonant but it appeals to me.


UM – You’re on a solo tour. In a presentation you sing a “Holler”. Could you explain what a holler would be? And could you talk about this solo project?


WP - Out in the woods, well before phones or digital communication, hollers were used as a practical means of communication. For instance, a hunter or traveler would have his own unique holler which he would call out as he approached a home from a distance well before he could see it. If you approached a home unannounced, this could be very dangerous for you as most people in remote areas were and still are, armed. There were also different hollers for different functions. A certain holler would signal a safe return with no need for help. Another holler might signal “I have succeeded at the hunt and could use some help bringing in the kill.” Very few people are still alive who used to live in the Okefinokee swamp but those with whom I’ve spoken seem perplexed that I perform these hollers in a concert setting. They find it odd that such a practical means of communication could be transformed into entertainment. To my ear, in their raw form from the Smithsonian Library archive recordings, the holler melodies sounded beautiful, haunting and operatic, so it is from this perspective that I arranged them for my new show Swamp By Chandelier.




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