Entrevista Artur Menezes


Artur Menezes é um fenômeno, em pouco tempo transcendeu o posto de revelação da cena blues fortalezense para um bluesman radicado - e respeitado, diga-se - nos Estados Unidos. Já morou em Chicago, onde tocou com a última lenda viva do blues, Buddy Guy, mas atualmente reside em Los Angeles. "Chicago é muito mais bacana! A cidade respira o blues. Tem vários bares tradicionais e tem blues de segunda à segunda. Los Angeles é legal também, mas não tem a mesma atmosfera de Chicago. E aqui a cena de blues é menor, porque tem de tudo", explicou Artur sobre as diferenças entre as cenas blueseiras em Chicago e Los Angeles.

O guitarrista foi bem recebido na terra do blues e por mérito, esforço e qualidade conseguiu consolidar-se como um importante nome dentro do estilo. Seu destaque em terras tão distante da sua cidade natal é comprovado, por exemplo, pelo prêmio de melhor guitarrista pela Blues Foundation no International Blues Challenge! Outra importante marca foi a participação no web show Jam in the Van, um dos palcos mais interessantes e concorridos por bandas norte-americanas. E o que dizer de quando dividiu o palco com Joe Satriani?

Seu último disco, Keep Pushing, é fantástico e recebe justas críticas de toda imprensa internacional. "O disco foi produzido pelo Josh Smith e gravado no estúdio dele. Josh é um monstro! Toca demais! O disco tem dez composições de minha autoria e ficou por duas semanas no TOP 5 da Roots Music Report em Blues Rock Album", comentou.

Senhoras e senhores, em tempos de decepção com a Seleção brasileira - e o dissimulado Neymar - e de total descrença com o futuro do país, o jovem Artur Menezes é motivo de orgulho! Escute o novo disco e tire suas próprias conclusões.


UM – Me lembro quando você começou a aparecer na cena do blues brasileiro. Atualmente você mora nos EUA e tem uma carreira respeitada. Como iniciou a sua relação com o blues? Você teve alguma influência brasileira ou foram mesmo os grandes mestres que te pegaram?

AM - Eu morava próximo a uma estação de rádio e o amplificador que eu tinha pegava bastante interferência por conta da antena. Um dia eu estava tocando, provavelmente AC/DC com os vinis do meu irmão mais velho, e ouvi pela interferência um som muito massa e comecei a tocar junto. Quando a música acabou o locutor disse: "Programa Encontro com o Blues, Rádio Universitária FM". E depois disse o número de telefone da rádio. Liguei e perguntei que tipo de música era aquela e ele me explicou, disse que era blues e tal. Desde então é o que venho fazendo. Nessa época eu tinha uns treze, catorze anos. Tinha começado a tocar violão aos doze. Pouco tempo depois meu irmão comprou o Texas Flood do Stevie Ray Vaughan. Dali para frente ele virou minha maior inspiração naquela época. Dele parti para o Albert King (meu preferido), Jimi Hendrix, BB King, Albert Collins etc.


UM – Você abriu shows do Buddy Guy no Brasil e, se não me engano, também nos EUA. Primeiramente, poderia falar sobre o Buddy na sua vida e o legado dele no blues? Como você chegou até ele? Poderia nos contar como é tocar/conhecer o Buddy Guy, que sem sombras de dúvidas é o último daquelas lendas do blues ainda vivo?


AM - Toquei com o Buddy Guy quando eu estava em uma das minhas temporadas em Chicago, em 2011. Ele tem um bar lá \QUE rola Jam Session nas segundas-feiras. Toquei em uma dessas jams com ele. Em 2012 ele veio ao Brasil em turnê e minha banda fez os shows de abertura no Rio de Janeiro (Vivo Rio) e em São Paulo (Via Funchal). Conhecer e tocar com o Buddy foi incrível! Uma lenda e todo o meu respeito por ele!


UM – Você foi selcionado para tocar no Eric Clapton Crossroads? Como foi isso?


AM - Não, não fui. Eu terminei a primeira fase do concurso em primeiro lugar. Mas quem ganhou na segunda fase foi o Philip Sayce. Ele é incrível, um dos meus artistas preferidos e amigo também. Ele mora aqui em Los Angeles e sempre vou aos seus shows e sempre trocamos mensagens pelas redes sociais.


UM – Como foi a mudança para os EUA? Foi algo planejado ou mais no impulso? Rolou um preconceito por ser um bluesman brasileiro ou você foi bem aceito? Algum músico te ajudou a entrar naquela cena?


AM - Tudo sempre planejado. Nenhum preconceito, sempre muito bem tratado e muito bem respeitado. Ninguém me ajudou a entrar na cena. Foi tudo correndo atrás mesmo, fazendo um trabalho de qualidade e com muito feeling sempre. Claro que sempre tem as amizades que a gente faz, os músicos que a gente conhece, toca junto, indica para isso, para aquilo. Mas como todo e qualquer trabalho, se você não tem as qualidades necessárias e/ou não é profissional, não vai rolar.

UM – Você já morou em Chicago, berço do blues elétrico, e agora mora em Los Angeles. Poderia falar um pouco sobre as diferenças entre as cidades e as respectivas cenas de blues?


AM - Chicago é muito mais bacana! A cidade respira o blues. Tem vários bares tradicionais e tem blues de segunda à segunda. Los Angeles é legal também, mas não tem a mesma atmosfera de Chicago. E aqui a cena de blues é menor, porque tem de tudo.


UM - Seu novo disco Keep Pushing é excelente! Muito bom mesmo! Poderia falar sobre o disco?


AM - Muito obrigado! O disco foi produzido pelo Josh Smith e gravado no estúdio dele. Josh é um monstro! Toca demais! O disco tem dez composições de minha autoria e ficou por duas semanas no TOP 5 da Roots Music Report em "Blues Rock Album".


UM – Você participou de um dos melhores canais/palcos no mundo da música, Jam in the Van. Poderia falar sobre a sua participação?


AM - Foi muito bacana! É um projeto muito legal, respeitado e difícil de entrar. Fiquei feliz de ter participado. Gravamos três músicas de minha autoria, músicas que também estão no novo álbum.


UM – O seu repertório sempre foi composto em maior parte por canções em inglês. Você toca algo em português nos seus shows nos EUA? Pensa algum dia em um projeto 100% em português?


AM - Isso, sempre em inglês. Acho que combina mais com o estilo. Eu pensava antigamente em algo 100% em português, mas como agora moro aqui não faz mais sentido.


UM – Quais são aqueles clássicos que nunca faltam nos seus shows?


AM - Vixe, difícil! Porque todo show mudamos algumas músicas. O que não falta mais são minhas músicas autorais, especialmente as do disco novo.


UM - Você tocou com o Joe Satriani? Claro que ele não é um guitarrista de blues, mas é um cara que, de certa forma, criou um estilo na guitarra. O cara é monstruoso naquela vibe mais virtuosa. Como você chegou até ele? Como foi esse show? Você entrou na linha dele ou ele caiu mais para o blues?


AM - Foi no Samsung Blues Festival no Ibirapuera, em São Paulo. Foi em agosto do ano passado com um público de vinte mil pessoas, foi sensacional! Fui convidado pelo festival para fazer um show e a noite encerraria com o Satriani. O Joe é demais! Além de ser um monstro na guitarra, é um ser humano incrível! O convite partiu dele no backstage. Tocamos Going Down, do Freddie King. Tem vídeos no youtube!

UM – Para terminar, você é um cara que adora a Fender Stratocaster. O que ela tem no som que te atrai? Quais os músicos que usam/usavam Stratocaster que mais te influenciaram?


AM - Na verdade faz um bom tempo que eu venho tocando com uma 335 (semi-acústica). É minha guitarra preferida. Antes dela estava tocando por um tempão, e ainda toco é claro, Les Paul. Stratocaster voltei a usar com mais frequência recentemente, com certeza Stevie Ray Vaughn é minha maior influência na stratocaster.

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